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Ana Bernardino: “Vamos criar um bom clima em ‘casa’ e partilhar tarefas?”

No rescaldo da Cimeira pelo Clima, e já de olhos postos nas metas a discutir na COP30, resta-nos constatar que os objetivos mundiais não são comuns e que os consensos estão longe de um final feliz. Os ambientalistas saem do Dubai desanimados, alguns governos frustrados. E as mulheres? Bom, é melhor pôr a mão na massa, caso contrário… “era uma vez um planeta”.

Este não é um Manifesto Feminino pelo Clima, mas a verdade é que basta analisar vários estudos já publicados para perceber que o combate às alterações climáticas está longe de ser equitativo. A solução para reduzir os efeitos das mudanças climáticas pode estar na mão delas – as mulheres. E começamos este artigo com um estudo realizado, em 2020, pelo Fórum das Mulheres para a Economia e a Sociedade (“Women’s Forum for the Economy & Society”) aos países do G20 que concluiu que as mulheres alteram cerca de 6% mais os seus hábitos para combater as alterações climáticas. São elas que mais reciclam, deixam os utensílios de uso único ou apoiam a produção local. Eles também, mas elas mais.

Outro estudo, desta vez de 2018, revela que cerca de 71% das mulheres tentavam implementar um estilo de vida mais sustentável comparando com 59% dos homens. Os dados foram analisados pela empresa de estudos de mercado britânica, a Mintel, que chamou a este fenómeno de eco gender gap (“falha ecológica de género”).

A figura maternal e carinhosa da mulher continua, nos dias de hoje, a sobrepor-se à ideia do homem enquanto sustento do lar. Anos de evolução não impedem que a mulher seja vista como a responsável pelo espaço doméstico e pela preservação do planeta. A desigualdade de género torna-se assim o fator primordial da chamada “falha ecológica de género”.

A nível mundial, e segundo as Nações Unidas, as mulheres são as que mais sofrem com as alterações climáticas, são as que têm menos recursos, educação, menos oportunidades financeiras e, na maioria dos casos, assumem plena responsabilidade pelos filhos. As mulheres passam, em média, mais 5 horas por dia com os filhos em comparação com os pais.

Mas são os homens os mais ativos quando se trata de tomar decisões sobre energia. Em casa a mulher pode ter frio ou calor, mas é o homem quem decide sobre as melhorias térmicas da habitação.

E são eles, também, que contribuem mais para a emissão de gases poluentes. Segundo um estudo sueco de 2021, os bens comprados pelos homens são 16 por cento mais poluentes. Esses dados devem-se ao fato das mulheres andarem menos de carro e mais de transportes públicos. Por família há, geralmente um carro, que é utilizado maioritariamente pelos homens.

Um relatório do Instituto Europeu para a Igualdade de Género concluiu que as mulheres estavam mais disponíveis para alterar os hábitos para reduzir os efeitos climáticos, mesmo que tivessem de pagar mais por esses bens amigos do ambiente.

Depois deste desfilar de números sobre hábitos sustentáveis, eis que as mulheres estão em desvantagem na decisão sobre políticas ambientais. Segundo o Instituto Europeu para a Igualdade de Género, em novembro de 2021, as ministras responsáveis pelas políticas do ambiente representavam apenas 26,8%, enquanto os homens correspondiam a 73,2%. Mais uma vez são eles os decisores.

Em Portugal o executivo do Ministério do Ambiente e Ação Climática tem apenas uma mulher, Ana Fontoura Gouveia, que ocupa a secretaria de Estado da Energia e do Clima.

Ou seja, as mulheres continuam apenas cuidadoras do planeta já que continuam a não conseguir aceder aos cargos decisórios. Torna-se assim um círculo vicioso em que as mulheres e o planeta é que ficam a perder.

Mas a luta continua: pelo planeta e por trazer cada vez mais homens para a sustentabilidade. A inclusão de todos na discussão das alterações climáticas é fundamental para criar bons exemplos.

O futuro é muito mais rico quanto maior for a diversidade em que assenta. A nossa casa comum também. E é verdade: ainda não há planeta B. Vamos lá cuidar deste. É sobre Direitos do Homem que falamos e assinalámos há poucos dias, a 10 de dezembro. A sustentabilidade é assunto de todos os géneros. Deixarmos todas e todos uma “casa” habitável para os nossos, as nossas poderem viver. Trata-se de cuidar da nossa casa…vamos partilhar tarefas?

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