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Ana Bernardino: “Violência Doméstica- Terrorismo na Intimidade”

Em média, uma em cada três mulheres é vítima de violência doméstica. E, a cada ano que passa, aumenta o número de mulheres e homens que morrem às mãos de uma ou um agressor. Este mês assinala-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Porque o problema existe e as feridas estão longe de sarar.

São feridas abertas na sociedade atual. Em pleno século XXI ainda continuamos a contar o número de vítimas mortais às mãos de abusadores.

E tudo começa de forma profundamente simples. Um comentário, uma palavra, um olhar, a humilhação que envergonha e, quando menos de espera, o estalo que não deixa dúvidas. E o ciclo recomeça: uma palavra, um empurrão e o pedido desculpa, até que volta tudo ao início. Sofrimento que parece sem fim e que, muitas vezes, tem um desfecho dramático às mãos de uma violência que não encontra explicação.

Quebrar o ciclo torna-se imperioso. Mas passar da intenção é também uma enorme responsabilidade de todos.

A Organização Mundial da Saúde deixa, repetidamente, o apelo para que que os rapazes sejam instruídos na escola sobre os temas da igualdade e do consentimento sexual, mas também em casa é fundamental que lhes sejam incutidos os valores da tolerância e do respeito.

Apesar dos apelos e alertas, os números da violência contra o cônjuge ou equiparado, não param de crescer. Apesar do aumento das denúncias. Apesar de ser crime público.

O crime de maus-tratos entrou no Código Penal há pouco mais de 40 anos e é uma clara violação dos direitos humanos com impacto em toda a sociedade.

A Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica entrou em vigor em agosto de 2014. A também chamada Convenção de Istambul reconhece a violência doméstica e contra as mulheres como um problema de saúde pública, educacional, social, de segurança e criminal, e inclui a violência no namoro e a mutilação genital.

Numa altura em que se assinalam os 50 anos do 25 de abril, é fundamental continuarmos a olhar com especial atenção para este flagelo. A democracia foi conquistada, mas ainda é necessário mudar mentalidades, e educar as novas gerações, porque a violência doméstica não pode continuar a ser um terrorismo invisível vivido dentro de quatro paredes. As marcas ficam para sempre e muitas vezes perpetuam-se através daqueles que hoje são filhos das vítimas.

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