A Associação Acolher Prá Vida nasceu em 2019 através de um grupo de mulheres que não se conheciam, mas que partilhavam entre elas o mesmo problema de saúde, cancro de mama. Rapidamente criaram um espaço de partilha em que iam contando umas às outras sobre como era lidar com a doença. Constituíram-se em associação com sede na mesma rua da Junta de Freguesia de Alenquer. Gisela Silva tinha 47 anos em 2018, e foi nesse ano que foi diagnosticada. Aquilo que se pensava ser um caroço sem importância, a que os médicos nem estavam a dar muito valor, veio a revelar-se um cancro grave. Passados cinco anos ainda está a fazer quimioterapia, mas oral. Acredita que o pior já lá vai. É com redobrada esperança que encara a vida, e o melhor que lhe aconteceu foi ter encontrado este grupo, onde hoje estão as suas melhores amigas.

Apesar da larga maioria das pessoas que integram esta associação estarem a passar ou terem passado pelo cancro da mama, fazem parte também outros doentes que enfrentam outros tipos de cancro. A ajuda mútua, aquela força que vem do outro que insiste que a esperança é a última a morrer, é algo muito importante no processo de cura da doença. Nisto, há também a ajuda da comunidade, em que uma senhora fornece cabeleiras, que depois são mantidas por um salão de cabeleireiros, “pois como se sabe a perda do cabelo é das coisas mais dramáticas” que ocorre quando o veredicto é cancro. De resto: “O alento, a força e a partilha” é uma espécie de receita secreta para se enfrentar animicamente uma fase da vida em que tudo muda quando o médico diz que alguém tem cancro.

Tendo sido uma associação formada em 2019, não deixou de promover “workshops, sessões online e outras formas de interagir” mesmo durante a pandemia. Conta atualmente com 200 associados. Promove ainda diversas atividades de yoga, pilates, caminhadas, e em breve um jantar de Natal. Possui parcerias com a clínica Abrisaúde, Câmara Municipal de Alenquer. A associação mantém ainda contactos com vários médicos de diversos hospitais, nomeadamente, da Fundação Champalimaud.

Gisela Silva desmistifica que a fundação só tenha vocação para receber doentes que possuam seguro de saúde ou com capacidade para pagar os tratamentos na íntegra, porque “existe uma associação com vocação social a Mama Help” que faz parte da fundação. Foi na fundação que fez a reconstituição mamária, com uma técnica de cirurgia das mais inovadoras atualmente. Gisela Silva fez 16 sessões de quimioterapia de forma a reduzir o tamanho do cancro. “Era dos mais agressivos, R2 Positivo, tinha sete centímetros, passei pela quimioterapia, radioterapia e imunoterapia e estou aqui graças a Deus!”.

Neste processo, alguns doentes que faziam parte da associação acabaram por não vencer a doença, apesar de muita força de vontade “como foi o caso de uma das senhoras que por aqui passou”. “Vai acontecendo e para nós custa muito”. Gisela Silva reforça ainda que a associação não ajuda apenas doentes oncológicos mas também as suas famílias, “porque também precisam de apoio psicológico”. A associação conta também com psicólogos, fisioterapeutas, e médicos. Possui ainda protocolos com farmácias, cabeleireiros e ginásios.

Uma das realidades que salta à vista é que a maioria das mulheres que chega à associação com diagnóstico de cancro da mama possui entre 40 a 50 anos e quando os rastreios obrigatórios apenas se efetuam, a partir dos 50. O paradigma da doença pode estar a alterar-se em que o cancro da mama ameaça ser uma verdadeira epidemia no futuro. “Os médicos acreditam que o cancro antes dos 50 tem uma forte carga hereditária, genética, mas o que se assiste é que vão aparecendo cada vez mais casos antes dessa idade, em mulheres muito jovens sem familiares com essa doença, com vidas aparentemente saudáveis, que não fumam nem bebem”, como é o caso de Gisela Silva. Contudo acredita que há fatores da vida moderna que estão a deixar a saúde da mulher cada vez mais fragilizada – “Não temos tempo para nada, vivemos a correr entre o trabalho, os filhos, a casa, e já está provado que o stress, a ansiedade e a depressão pioram a condição do sistema imunitário”. Daí até ao cancro é uma roleta russa que pode calhar a qualquer uma. Por isso e para limitar a possibilidade de surgir a doença, “o meu médico oncologista dá a receita- alimentação saudável, exercício físico e diminuir o stress, que é a parte mais difícil”.

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