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Aterro do Mato da Cruz “continua a criar cada vez mais maus cheiros e os políticos não querem saber”

O aterro de resíduos sólidos urbanos da Valorsul, devido à paragem da incineradora de S. João da Talha, tem estado a receber nestes últimos meses do ano mais resíduos do que o normal. Tem sido assim desde há vários anos. O movimento encabeçado por vários cidadãos da freguesia de Alverca está sem saber a quem mais pedir ajuda. José Avelar, um dos rostos daquele movimento, ao Valor Local queixa-se da junta de Alverca/Sobralinho e da Câmara de Vila Franca de Xira que no seu entender não estão a fazer rigorosamente nada para tentar pressionar a Valorsul. O aterro de Mato da Cruz, situado entre Alverca e Calhandriz, que estava previsto encarrar em finais de 2021 tem licença para continuar a exploração até 2026. A unidade serve para além do concelho de Vila Franca de Xira, Loures, Amadora e Odivelas.

O habitante conta que por estes dias são “milhares” as gaivotas que pairam sobre o aterro que atinge proporções cada vez mais gigantescas e sem que a empresa “atenda à necessidade de pelo menos utilizar um neutralizador de odores” como “já efetuou em tempos”. A deposição de terras é uma das formas de controlar os odores. Por outro lado, “a Câmara e a junta não dizem nada à população quanto ao que se está a passar”. “Chegamos a um ponto em que já não há vergonha”, desabafa, considerando que as duas autarquias não deveriam jamais baixar os braços. Numa das últimas reuniões de Câmara, o presidente da autarquia, Fernando Paulo Ferreira, informou que o problema dos maus cheiros que se tem vindo a agudizar estaria de certa forma atenuado assim que a central de S. João da Talha voltasse a laborar, mas José Avelar nota que o equipamento “está cada vez mais tempo parado” com o prejuízo a recair sobre a população do concelho de Vila Franca que vive mais próxima do aterro. José Avelar – “Faz-me muita confusão esta atitude da Câmara de não querer saber!”. Já o presidente da junta, Cláudio Lotra, dá conta que colocou a questão junto da Valorsul, e que pouco mais pode fazer para além de reportar. O autarca sublinha ainda que quem tem assento no conselho de administração na Valorsul é a Câmara de Vila Franca de Xira.

Os cheiros são insuportáveis e as linhas de água próximas do aterro, no entender deste munícipe, já se encontram comprometidas. “Possivelmente vamos ter de começar a usar máscara como foi na altura da Covid-19”. Arcena é a principal localidade afetada com os odores, mas há dias “em que o cheiro chega a Alhandra”. Mais distante parece estar a intenção de um dia fechar o aterro e converter o espaço num jardim para “devolver à37 população”, lamenta-se. Em 2021, foi criada uma comissão de acompanhamento do aterro, ainda no mandato passado, mas desde então pouco se sabe da atividade da mesma

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