Aveiras Eco Valley é o projeto de que se fala. Nos últimos meses um grupo de investidores adquiriu uma área significativa de terrenos do lado direito da Nacional 366 entre Aveiras e Alcoentre, junto à Tiel. O promotor apresentou junto da autarquia um master plan, ao qual o Valor Local teve acesso. O investimento com capitais norte americanos é representado em Portugal pelo advogado Joaquim Mota. Num espaço temporal de 10 anos, e se o projeto for para a frente poderá surgir uma nova cidade aos pés de Aveiras de Cima, um ecoparque, uma das formas mais inovadoras de pensar a indústria, a habitação e a sustentabilidade. Até lá e face ao impacto que todo o projeto já teve junto dos principais atores políticos, faz-se figas para que não tenhamos uma versão atualizada da Lusolândia, projeto que previa um mega parque de diversões nos concelhos de Azambuja e de Alenquer mas que nunca saiu do papel.  A centralidade de Aveiras de Cima e o facto de ser uma porta de entrada para a Grande Lisboa tendo em conta as vias de comunicação, e daí para outras paragens na Península Ibérica fizeram com que a opção recaísse sobre aquela localização no concelho de Azambuja. Para já e segundo o presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio ao Valor Local o valor do investimento na aquisição de terrenos ascende perto dos 10 milhões de euros, “mas o estudo económico do projeto e o valor do investimento total ainda não é conhecido”.

Vinte mil postos de trabalho, sendo que 200 fogos serão habitacionais, e a possibilidade de atrair 10 mil novos residentes, quando atualmente e segundo os últimos censos vivem no concelho de Azambuja 21 mil 422 habitantes, é a ambição deste projeto que pretende conciliar em cerca de 200 hectares de forma harmoniosa atividades de indústria, inovação, logística, habitação, comércio, hotel, espaços verdes, e à partida também áreas de lazer. A intenção da empresa teve o melhor acolhimento possível, nesta fase, por parte de toda a Câmara Municipal. “Pelo que sei neste momento, estão com uma dinâmica incrível a adquirir terrenos naquela zona. Têm andado a comprar tudo o que há à volta da CLC naquele corredor até à Quinta da Torre Bela, estando em negociações pelo que sei para adquirirem as terras do Bairro dos Suíços neste momento.” Segundo o que foi relatado à Câmara, “a ideia passa por criar um parque onde o emprego e a habitação ficam na mesma área, sem necessidade de deslocações de automóvel”. Silvino Lúcio não duvida da enorme “implantação” que o Aveiras Eco Valley possa produzir “a médio prazo”.

Localização do projeto

“Aveiras vai com certeza dar um grande salto, até porque há mais investimentos que querem ali fixar-se como a Santos e Vale que adquiriu os terrenos do BES, mas também empresas de hidrogénio que já sabem de terrenos disponíveis e a Carreras que pretende construir um novo armazém”. A passagem do futuro TGV vai trazer condicionantes “porque a linha será desenhada à quina da CLC mas à partida não terá implicações nesse projeto do Eco Valley, ficando fora da área de servidão”.

Os promotores ficarão responsáveis pela infraestruturação de todo o parque e “estão a ser pensadas duas rotundas para aquela zona para que não aconteça o mesmo que na Nacional 3”. O conjunto de intenções estará de tal forma adiantado que os investidores já se reuniram com a Infraestruturas de Portugal (IP) com o objetivo de financiarem essas obras na Nacional 366, tendo “obtido eco positivo da IP para esse objetivo”. O fantasma da especulação imobiliária “está de todo afastado por aquilo que percebemos”. O projeto vai contar com planos de pormenor para contornar algumas pequenas zonas de Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN). Segundo Silvino Lúcio “a Câmara não tem de dar o estatuto de interesse público municipal porque a figura do plano de pormenor é o suficiente. Obviamente que depois estará sujeito a parecer da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, Agência Portuguesa do Ambiente, Direção Regional de Agricultura e Pescas, mas penso que não deverá ter muitas dificuldades na obtenção dessas autorizações”. Já a empresa na documentação consultada pelo Valor Local exprime a sua preocupação pelo facto de o Plano Diretor Municipal (PDM) de Azambuja não esteja aprovado, o que “pode causar alguns atrasos”.

Inês Louro, vereadora da oposição Chega, considera que o projeto “parece algo muito avançado para o que estamos habituados” e que “trará muito desenvolvimento a Aveiras de Cima, revolucionando a forma de estar no concelho”. Uma das suas preocupações na reunião com o representante dos investidores e da sua equipa foi questionar acerca da manutenção do parque depois de pronto “porque estamos a falar de um mega condomínio”, sendo que lhe foi assegurado que “haverá uma continuidade na gestão do espaço”. A autarca ficou agradada com a explicação, “bem como com toda a componente ecológica inerente, com espaços pedonais e ciclovias”. Outro ponto positivo, no seu entender, “relaciona-se com marcar uma continuidade no espaço público com a vila de Aveiras de Cima”. Na dita reunião, “foi ainda deixada a porta aberta para trazerem um polo de ensino pelas ligações que mantêm”. Inês Louro conclui – “O projeto é de tal forma bom que é preciso termos os pés bem assentes na terra”, explicando – “Quando temos o exemplo daquilo que é o mau crescimento de uma zona logística como a de Azambuja- Vila Nova da Rainha na Nacional 3, temos os problemas identificados, os quais não queremos que sejam replicados na Nacional 366. Percebi que os representantes dos investidores ficaram sensibilizados, e tomaram boa nota do que fomos sugerindo”.

Uma das preocupações no entender da vereadora prende-se com a escassez de determinados serviços no concelho, como escolas, “porque se a população aumentar não temos oferta suficiente”.

Já Rui Corça, vereador do PSD, também se mostrou agradado, “por ser fora do comum e com uma escala que não é habitual no nosso concelho”, e que “vem ao encontro daquilo que temos dito ao longo do tempo de que Aveiras tem uma posição estratégica para atrair investimento de qualidade”.

Contudo não esconde a sua preocupação pelo “enorme impacto que o projeto vai ter a nível da rede viária, com mais 20 mil pessoas, porque o que está a ser projetado é uma nova vila” que começa no Sítio dos Poços à saída de Aveiras e vai até à CLC. “O projeto é muito interessante, mas temos de aterrar, e estudar, analisar muitas condicionantes”, consubstancia. Neste aspeto “a Câmara tem a faca e o queijo na mão, porque é a responsável pelas operações urbanísticas, e pode ir fiscalizando tudo o que ali se vier a desenrolar, de forma que Aveiras não seja uma réplica de Azambuja-Vila Nova da Rainha, e para que de hoje para amanhã não tenhamos surpresas”.

O projeto também foi dado a conhecer ao presidente da junta de Aveiras, António Torrão, que evidencia que será “algo de muito bom para aquela zona do concelho e até do concelho do Cartaxo”. O facto de já existir um projeto, de o proprietário ter adquirido os terrenos, “denota que existe uma intenção forte”. Acredita que possa “ser uma fonte de emprego para as pessoas de Aveiras de Cima, pelo menos em algumas áreas”. O autarca ficou agradado com a possibilidade de o projeto contemplar uma ligação com a vila de Aveiras “através de ciclovias e vias pedonais”. “Com a desertificação que tivemos no alto do concelho, acredito que este projeto possa vir a fixar pessoas. Temos qualidade de vida, e é importante que possamos repovoar aquela zona.” O autarca brinca e sentencia – “Agora é que vamos ter um centro escolar. Se calhar tínhamos razão quando defendemos com unhas e dentes o centro escolar”.

 

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