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CRO Vila Franca de Xira: Três histórias de animais abandonados com final feliz

Esta reportagem é a história do Mandíbula, da Brownie e da Última. Um cão e duas cadelas que figuram entre as centenas de animais abandonados que o Centro de Recolha Oficial (CRO) de Vila Franca de Xira recolheu nos últimos anos.

O Valor Local visitou o CRO de Vila Franca de Xira numa destas tardes. O calor era intenso, mas os “utentes” ainda assim deram as boas-vindas à nossa reportagem, através dos seus latidos de contentamento e de um abanar de rabo ao qual ninguém fica indiferente.
Também ninguém fica indiferente às histórias de muitos deles. A grande maioria vítima de maus-tratos e abandono, encontram naquele espaço o carinho dos funcionários e das dezenas de voluntários que se esforçam por manter um bom ambiente e as melhores condições possíveis.

Num país, onde ainda muitos olham para o animal como “descartável”, este tipo de instalações faz toda a diferença, ao ponto de acolher o maior número de animais, chegando mesmo à sobrelotação, mas sobre isso falaremos mais à frente com Manuela Ralha, vereadora da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, que em conjunto com a médica veterinária, Ana Leonardo, proporcionou ao nosso jornal uma visita guiada ao canil, mas também ao gatil, porque também aqui o CRO de Vila Franca de Xira tem uma palavra a dizer.

Se nos chocamos por ouvir histórias de animais abandonados, devíamos ficar mais chocados por ver as condições em que são encontrados muitos destes que são considerados como os melhores amigos do homem. Uma amizade que muitas vezes não lhes é retribuída.

Perde-se no tempo a quantidade de animais deixados à porta do CRO. Mas perde-se também o número de animais resgatados aqui ou ali, às vezes através de denúncia, outras vezes detetados pelos próprios funcionários e vizinhos.

São tantos os animais resgatados, que a criatividade para batizar estes cães e gatos já vai faltando aos funcionários do CRO. Durante a pandemia, muitos foram os que quiseram um animal de companhia para poderem sair de casa, ao abrigo das medidas restritivas impostas pelo Governo quanto à circulação de pessoas. Muitas das histórias recentes que ouvimos de abandono de animais no país, aconteceram depois da pandemia. Agora os donos já podem sair livremente de casa sem ter de ser para passear os animais.

Ana Leonardo diz não ter tido casos desses no CRO. No entanto tem outros. Porventura, mais chocantes e de mais difícil resolução. São animais que ainda esperam por adoção, e que estão ainda em processo de sociabilização, quer com outros cães, quer com humanos.
Das centenas de histórias, três foram as escolhidas por Ana Leonardo para a nossa reportagem. Apresentou-nos três animais, receosos dos humanos desconhecidos, tais foram os tormentos pelos quais passaram.

O Mandíbula foi um desses casos. Foi encontrado por populares numa vala perto da Quinta do Barco em alverca. Este foi segundo Ana Leonardo um dos animais que entrou no CRO “em piores condições físicas”. Não só por se encontrar bastante magro, mas também porque tinha a parte da mandíbula toda destruída.

O animal já não comia devido às dores e “o próprio corpo já se tinha enchido de larvas”. Explica Ana Leonardo que este foi um caso complicado. O Mandíbula acabou por ser resgatado pela equipa do CRO e “foi intervencionado cirurgicamente ao nível da ortopedia, não só por causa de toda a parte mandibular, mas teve de receber também outros tratamentos médicos”.

Hoje o Mandíbula não convive ainda com outras cães que não estejam na sua box, mas reage bem aos tratadores. “Dá-se muito bem connosco e não tem medo de pessoas” é por isso que a veterinária conclui: “Acho que acabou por ser um daqueles animais que ficou bastante agradecido”. O Mandíbula não tinha chip, não se sabe se teria dono. No entanto está à espera de uma adoção.

No entanto no “mundo cão” a sorte nem sempre está tão longe quanto isso. A Brownie também foi resgatada pela equipa do CRO. O animal estava numa garagem e a história chegou ao CRO através de uma denúncia. Ana Leonardo explica que ao abordar a proprietária da garagem, esta terá dito que tinha encontrado a Brownie recentemente e que estaria a alimentá-la para esta ganhar defesas. A história pode até ser verdadeira, mas parece que não convenceu os responsáveis pelo CRO que já viram de tudo um pouco. A veterinária explica, entretanto, que é difícil apurar se havia uma relação entre o animal e a pessoa que o estava a guardar. Ainda assim, a vida de Brownie mudou, ao ser resgatada e recorda: “Fomos chamados porque havia um animal muito magro numa garagem” e quanto ao estado da “Brownie” “o que posso dizer é que existe uma tabela de um a cinco a nível de estado corporal, e esta cadela estava no um ”.

“Estava extremamente magra e medrosa. As pessoas não se conseguiam chegar a ela. Nunca se tornou agressiva, mas notava-se que tinha um medo muito grande das pessoas”, refere Ana Leonardo.

A vida de “Brownie” é hoje diferente. Já se relaciona com outros cães e também com os tratadores, ainda assim, apresenta alguns traumas e receios quanto ao ambiente.
Estes animais apresentam histórias de vida que não imaginamos. O que os tratadores sabem é através dos comportamentos, porque nenhum destes animais tinha qualquer identificação. A “Última” foi mesmo a última a chegar ao CRO. O nome é “sui generis” porque já vai faltando criatividade para renomear os animais.

Esta cadela entrou quase sem pêlo “muito magra e com muito prurido (comichão)”. “É uma cadela extremamente simpática connosco”, refere Ana Leonardo.

A última foi resgatada de uma casa em que estava a ser negligenciada. “Recuperámos esse animal e é uma cadela super simpática que está com um aspeto completamente diferente”, refere Ana Leonardo que lembra que é importante “comparar o antes e o depois desta história com final feliz, porque infelizmente nem todas acabam bem”.

Canil Sobrelotado – Sem sinais de abrandar

O CRO de Vila Franca de Xira tem sido muito procurado não só por quem quer adotar, como, infelizmente por quem abandona os seus animais à porta. Esse é infelizmente um cenário recorrente neste e noutros centros de recolha.

Manuela Ralha, vereadora da Câmara de Vila Franca de Xira, sublinhou o empenho dos funcionários e também dos voluntários que amiúde vão dando a sua ajuda quer para manter “felizes” os animais que ali estão, quer nas ajudas tão necessárias relacionadas com a higiene e limpeza dos “utentes” do CRO.

A vereadora diz-se preocupada com o facto de não se conseguir “estagnar este fluxo de abandono constante de animais de companhia” e refere que o principal objetivo do CRO é manter a qualidade dos cuidados prestados aos cães e gatos, já que se encontra “efetivamente lotadíssimo”. Manuela Ralha recorda que “as pessoas não só não adotam”, como “preferem comprar animais de raça”.

Para a vereadora, as pessoas não procuram muito os centros de recolha, porque os animais são mais velhos, mas recorda que “todos precisam de amor”. “Estão todos muito bem tratados, e esse é o maior desafio”, face à sobrelotação do canil.

Há, no entanto, quem dê o exemplo. A veterinária, os funcionários, a própria vereadora, e o antigo presidente de câmara, Alberto Mesquita, todos adotaram cães e gatos no CRO de Vila Franca de Xira.

Os animais do CRO estão praticamente todos para adoção. O centro publica regulamente na sua página do Facebook as histórias e as conquistas destes animais. Nesta reportagem os protagonistas foram o Mandíbula, a Brownie e a Última que infelizmente não será a última a entrar naquele CRO vítima de maus tratos.

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