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Na junta da Póvoa, o google tradutor faz as honras da casa entre funcionárias e imigrantes

Com 40 mil 871 habitantes é uma das freguesias mais densamente povoadas do país. Na União de Freguesias de Póvoa- Forte “é raro o dia em que não cheguem aqui pessoas estrangeiras a pedir o atestado de residência”, conta Ana Cristina Pereira, presidente da junta, e isso implicou, desde logo, “que as nossas funcionárias tivessem de aprender a estar mais à vontade no inglês”. Também nesta freguesia, os imigrantes chegam à junta acompanhados por compatriotas, que estão cá há mais tempo, com o objetivo de facilitarem a comunicação. A autarca diz não ter estatísticas quanto ao número de imigrantes na freguesia. Quando as dificuldades são maiores “podemos ligar para o Alto Comissariado para as Migrações que nos ajuda em situações específicas”, adianta a autarca que não coloca de parte, ainda, o Google Tradutor, “uma aplicação que também é útil”.

Na Póvoa- Forte tem sido também mais intensa a imigração proveniente da Índia, Paquistão e Bangladesh. A autarca diz estar atenta a possíveis situações de tráfico humano, mas adianta que “na sua maioria as pessoas apresentam contratos de arrendamento e de trabalho”, o que deixa a junta mais descansada quanto à existência de possíveis situações de crime que contudo não podem ser descartadas quando falamos uma freguesia bastante urbana. Se no Carregado, muitos imigrantes daquela zona do globo já começam a ter cá as suas famílias, e este deixa de ser um fenómeno meramente masculino, na Póvoa passa-se de igual forma – “Pode até vir primeiro o homem, mas passado pouco tempo chega a família”, em comparação com aquilo que existia há poucos anos.

Referindo-se ainda ao atendimento na junta, Ana Cristina Pereira salienta que “nunca deixou de atender ninguém devido à língua”. O Google Tradutor é a linguagem universal e a nova tecnologia permite a comunicação entre pessoas que não falam minimamente a língua do interlocutor.

A autarca diz estar atenta aos fenómenos de sobrelotação na freguesia, e ao “elevado pedido de moradas para a mesma casa”, mas expressa também que “existe muita rotatividade em determinadas habitações de muita gente que entra e sai”, o que encaixa tipicamente no fenómeno da imigração. Há também quem queira lucrar com esta realidade o mais possível e não tenha pejo em converter lojas em habitação, “algo que não deve acontecer”, e que “encaminhamos para as autoridades”.

A junta de freguesia tenta também prestar algum acompanhamento a estas comunidades, nomeadamente, através da Rede Social quando é o caso, “sobretudo quando estamos na presença de famílias com crianças”.

A autarca sublinha que nos últimos anos a freguesia tem conhecido um crescimento populacional não apenas motivado pela imigração, mas também e sobretudo de pessoas “que viviam em Lisboa e preferem deslocar-se para as periferias e como somos uma zona bem servida de transportes e de vias de comunicação acabamos por ser uma escolha normal, embora as casas não sejam muito baratas, são mais acessíveis do que em Lisboa”.

Os novos imigrantes, refere, não são “causadores de incómodos junto da população” e chegam na sua maioria para trabalhar “no comércio, em empresas de jardinagem, na indústria”. “Quando se deslocam à junta, muitas vezes o tema de conversa gira em torno da habitação. Houve um cidadão de um desses países asiáticos que escreveu uma carta a agradecer a boa receção que teve aqui na freguesia, porque teve problemas de saúde na família e os vizinhos mobilizaram-se para ajudar. Infelizmente teve de abandonar a Póvoa porque viu a renda de casa aumentada para valores que não conseguia suportar.”

A autarca está preocupada com a escassez de oferta na habitação, com as rendas sempre a aumentar, num estado de coisas que é transversal a todos os cidadãos da freguesia, o que lhe faz lembrar “um período que houve ali a seguir ao 25 de abril em que as rendas também eram altas e as pessoas tiveram de partilhar casa”. Ana Cristina Pereira destaca que muitos idosos estão a ser surpreendidos com cartas dos senhorios com vista ao aumento da renda, e o que “dizemos é para que venham ter connosco para que lhes expliquemos como podem reagir”, isto porque “temos um protocolo com a Ordem dos Advogados de Vila Franca de Xira”.

Margarida Ramos refere que o Google Tradutor é um dos melhores amigos das funcionárias e dos imigrantes

Margarida Ramos é uma das funcionárias que receciona a comunidade imigrante e conta que nem sempre é fácil estabelecer a comunicação “porque não falam inglês, esforçam-se por perceber o português e quando não é assim o método preferido é o google tradutor”. Não comunicam muito para além daquilo que é o necessário para a passagem do atestado de residência “porque são algo fechados”.

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