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Inês Louro, vereadora do Chega: “Neste mandato atingimos o marasmo total no concelho de Azambuja”

Valor Local- Estamos a meio do mandato. Como avalia estes dois anos, quer do ponto de vista daquilo que tem sido o trabalho do Chega, quer no que se refere à ação do Partido Socialista, que governa a Câmara de Azambuja?

Inês Louro- O trabalho do Chega na Câmara comigo, e na Assembleia Municipal através dos nossos dois deputados é bastante positivo. Havia muitas dúvidas sobre a nossa postura e hoje ninguém duvida do nosso compromisso sério para com o concelho de Azambuja. Há uma geringonça do PS com a CDU, o que faz com que quem governa a Câmara não tenha de se dar ao trabalho de conseguir acordos pontuais com outros partidos.

Contudo temos assistido, que este presidente de Câmara já se tem disponibilizado para se reunir com a oposição para discutir as mais diversas matérias.

Posso aceitar que sim, no caso por exemplo das dívidas escolares e da habitação social, onde tem havido um trabalho no Bairro Madre Teresa de Calcutá, embora ainda não tenhamos chegado ao cerne da questão. Já houve reuniões para apresentação de projetos, mas sem grandes resultados práticos.

E quanto ao mandato do PS, agora com Silvino Lúcio como presidente da autarquia?

Não tem havido grandes novidades. Estamos no marasmo total. Todos os grandes problemas estão por resolver desde a questão da Nacional 3, passando pelo tema do aterro em que a Câmara deveria ter uma atitude mais ativa, mas temos também a necessidade de obras na Escola Secundária, o concurso dos resíduos sólidos…

O PDM está na ordem do dia, bem como um conjunto alargado de pedidos de interesse público municipal que têm vindo à Câmara. O Chega já solicitou que haja um regulamento municipal para esta matéria, e tem-se insurgido com a aprovação sistemática destes pedidos, contudo ainda há dias o vice-presidente da Câmara, António José Matos, lembrou que no tempo em que a Inês Louro era presidente de junta de freguesia eleita pelo PS não teve pejo em aprovar estas declarações sem grande celeuma.

Não está à espera que comente coisas que foram noutro mandato e noutras funções.

Na altura não foi tão exigente porquê?

Hoje estou num cargo na oposição e a minha tarefa é diferente. Na altura não tinha as responsabilidades que tenho agora. Quando levo a reunião de Câmara, o projeto de regulamento não é para obstruir a iniciativa privada, mas para termos um guião, e uma estratégia definida. Há projetos que têm vindo à Câmara com interesse público nulo como o da empresa do hidrogénio verde, algo que nem traz nem impostos municipais nem postos de trabalho. O senhor presidente que inicialmente concordou com a proposta do Chega para se dar início ao procedimento do regulamento para o interesse público municipal, diz que tem um parecer que refere que já não é obrigatório esse regulamento. Óbvio que tive de me rir!

Depois da grande polémica entre a oposição e os bombeiros de Azambuja, gostava de lhe perguntar o que resta da sua relação com esta corporação? (Depois do intenso debate em torno da aquisição da viatura de desencarceramento e a contração de um empréstimo a 15 anos por parte da entidade, o qual a Câmara apoiaria através de amortizações a cada seis meses. A oposição estava contra, e a dada altura defendeu que o apoio deveria ser dado de uma só vez em sede de orçamento municipal para 2024. Os bombeiros estiveram desde o início do lado do PS e da sua proposta)

(silêncio) Está como sempre esteve, julgo que é boa.

Não pode dizer que está igual ao que era, antes de todos os últimos acontecimentos.

Houve uma declaração que foi tornada pública por parte da direção que evoca a minha pessoa, e os vereadores do PSD, à qual não reagi. Neste processo não fui bem recebida na casa dos bombeiros quando quisemos apresentar uma contraproposta. Os senhores dos bombeiros assumiram que estavam melindrados com a minha postura por entenderem que o nosso voto tinha sido diferenciado em relação ao das outras associações de socorro do concelho.

No meio disto tudo, percebemos que essa contenda, por assim dizer, entre a oposição e os bombeiros, foi especialmente liderada pelo comandante da corporação, Ricardo Correia. A oposição por diversas ocasiões tem pedido para que a vereadora Ana Coelho abdique do pelouro da Proteção Civil por viver maritalmente com o comandante. Considera que nesta discussão, Ricardo Correia também agiu, da maneira que todos assistimos, contra a oposição no debate sobre a viatura, tendo em conta a marcação cerrada do PSD e do Chega a Ana Coelho?

Não tenho resposta para isso. Não sei se teria agido de forma diferente se nós achássemos que a senhora com quem ele vive teria condições para se manter à frente do pelouro. Quero acreditar que tudo o que aconteceu foi devido a uma má comunicação da nossa parte, enquanto vereadores da oposição.

Está a dar uma resposta politicamente correta.

É a única que me faz sentido do ponto de vista da honestidade intelectual. Apenas digo: os bombeiros que estejam atentos à forma como vou votar e defender os meus argumentos perante outras propostas que se vão seguir nos mesmos moldes da do empréstimo para a compra da viatura, como será no futuro, o apoio à Cerci entre outras IPSS, para perceberem que não tenho critérios distintos.

Silvino Lúcio foi acusado pelo vereador do PSD, Rui Corça, de ter combinado uma coisa com a oposição numa reunião privada e de ter feito o contrário na reunião de Câmara pública, neste processo dos bombeiros.

Não quero comentar o que se passou nessa reunião privada.

Mas seria importante que fosse divulgado, até porque de alguma forma a oposição sentiu-se lesada neste processo. A própria comunidade estava a apoiar, a dada altura, e executivo socialista e os bombeiros contra o PSD e Chega.

É verdade que houve uma lesão grave da minha figura enquanto vereadora, porque parece que estou contra os bombeiros de Azambuja e um equipamento essencial para os acidentes. Desde há vários anos que tenho sido uma das vozes no tema da Nacional 3 e da sinistralidade e tudo isto é difícil de encaixar para mim. Não consigo compreender o que correu mal. Posso dizer que o presidente nessa reunião ficou de ver outras soluções e depois fez o contrário.

Depois tivemos aquela votação em reunião de Câmara em que o executivo não se fez representar pelos habituais vereadores suplentes dado que António José Matos (por fazer parte da direção dos bombeiros) e Ana Coelho (por viver maritalmente com o comandante) estão impedidos de votar as propostas que dizem respeito àquela entidade, o que fez agudizar ainda mais os ânimos. Isto tudo foi uma manobra política do presidente da Câmara no seu entender?

O PS deveria ter criado as condições necessárias para a aprovação da sua proposta, assim teríamos evitado o que se seguiu: vigílias, abaixo-assinado por parte dos bombeiros contra a oposição…

Foi uma manobra política ou uma forma do próprio PS se vitimizar?

Olhe honestamente acho que como não tinham dinheiro e não queriam que a proposta fosse aprovada. Já sabendo de antemão que votaríamos contra, e se não quiseram salvaguardar a presença dos vereadores suplentes, então e analisando friamente acho que não queriam dar o carro de desencarceramento aos bombeiros. Se as vigílias dos bombeiros como funcionaram foi para o lado do PS.

Inês Louro recorda:

João Galamba deixou ameaças em Azambujas: A bem ou a mal, Centrais Fotovoltaicas tinham de ir para a frente

 O nosso país foi sacudido nos últimos dias pelos acontecimentos políticos envolvendo o governo socialista, e há uma figura central nesta hecatombe, o ministro João Galamba que à época em que foi secretário de Estado da Energia é acusado de ter andado a pressionar tudo e todos para que certos projetos fossem para a frente e não estamos a falar apenas do Data Center de Sines. O próprio João Galamba veio a Azambuja falar com os autarcas socialistas no sentido de darem luz verde às centrais fotovoltaicas da Torre Bela e da Cerca. Do que é que se lembra dessa reunião, na altura enquanto presidente de junta de Azambuja?

Lembro-me de tudo e não é uma memória bonita. Vi uma reportagem na SIC sobre este processo que envolve João Galamba e Sines e vi tantas semelhanças com Azambuja que até me arrepiei. Na altura em fevereiro de 2021, havia uma grande pressão para os deputados do PS aprovarem o projeto da Torre Bela em assembleia municipal. Eu e outro deputado fomos os únicos a questionar João Galamba nessa reunião. Ele teve uma postura de completa pressão. Começou com falinhas mansas quase a querer dizer que nos tinha saído a sorte grande por termos sido escolhidos para ficar com estes projetos. Quando percebeu pelas minhas interpelações que a coisa não estava a correr bem, sai da reunião a ameaçar que Azambuja não iria receber nada, referindo-se a possíveis contrapartidas para as IPSS e escolas de que já se falava. Disse mesmo ou aprovávamos o interesse público municipal ou o Governo aprovava o interesse nacional para o projeto, que haveria de ser uma realidade a bem ou a mal. Tratou-se de uma pressão aos eleitos com responsabilidades políticas. Entretanto e como todos nos recordamos, o Governo faz sair aquela lei que declara o interesse público nacional para todos os projetos fotovoltaicos, deixando de ser necessário o parecer dos municípios. O projeto não chega a Assembleia Municipal e acaba por avançar.

O que é que comentaram os demais autarcas socialistas perante essa forma de tentar encurralar os eleitos?

Muitos deles, conforme se lembrará, não estavam contra o projeto. Outros nem sequer estavam despertos para uma tomada de decisão, porque toda a temática era difícil.

O Chega tem consertado muitas vezes as suas posições com o PSD neste mandato

A falta de habitação no concelho é também uma preocupação. Como é que o Chega olha para esta realidade no município. Depois de anos de muitas conversações entre a Câmara e o Governo para a cedência das antigas casas dos guardas de Vale de Judeus, eis se não quando o vice-presidente da Câmara, António José Matos, anuncia mais um compasso de espera, quando aquelas habitações já estariam previstas integrar o programa 1º Direito do município. Por outro lado, assiste-se ao fenómeno da sobrelotação de muitas casas pela comunidade imigrante o que não deixa de ser outra preocupação.

É verdade. Toda essa matéria é muito preocupante. Há algo que verdadeiramente me preocupa nestes dois anos: O Partido Socialista tem um canal direto com o Governo, em que a senhora presidente da Assembleia Municipal é simultaneamente deputada na Assembleia da República, em que temos ministros que o senhor presidente Silvino Lúcio trata por tu, a que acresce o facto de ter uma maioria com a CDU na Câmara, e mesmo assim e com todos estes fatores conjugados não conseguimos resolver assuntos básicos da vida do concelho. Então como é que vão ser os próximos dois anos, se o PS já não estiver no Governo? Como é que andamos desde 2012 para resolver a passagem de umas habitações que estão ao abandono para a posse da Câmara!? É só pura incompetência e inércia.

O programa 1º Direito já devia estar mais adiantado?

Claro, mas nada foi feito. Mas por outro lado não há interesse dos construtores em investir no concelho, e com isso garantir mais oferta. Temos de os ouvir e perceber de que forma podemos ser úteis.

As muito reclamadas obras na Nacional 3 também continuam a arrastar-se.

Sim, agora parece que estão no Tribunal de Contas. O presidente da Câmara continua impávido e sereno a aguardar. A conversa é sempre a mesma: Já fui falar, já recebi um telefonema e não saímos daqui. Fiz uma proposta para que se proibisse a circulação de pesados dentro de Casais de Baixo e Casais de Britos, mas nada foi feito, porque aquelas estradas não têm condições para receber tráfego de pesados.

Para o ano chegamos a meio da concessão da Águas da Azambuja. Assinalará 15, num total de 30 anos, de presença no concelho. Como é que avalia e o que faria diferente se fosse presidente de Câmara?

A empresa tem a obrigação de garantir saneamento básico para todos, e enquanto município temos de nos sentir defraudados com o facto de existirem falhas nesse domínio. Mesmo na sede de concelho não há saneamento básico. Dizem que é um investimento caro, mas quer dizer nós também pagamos uma fatura muito elevada todos os meses.

Há dois mandatos atrás, creio que entre 2013 e 2014, altura em que estava para ser aprovado um aditamento ao contrato, foi constituída uma comissão de acompanhamento da concessão, mas depois pouco ou nada se ouviu falar. Tem tido algum tipo de informação sobre isto, ou procurou saber algo?

Nem sei se está ativa. Desde que tomei posse como vereadora acho nem se falou disso. O próprio presidente nada adiantou.

Tem defendido em várias reuniões de Câmara, que o município deve também avançar como parte litigante na contenda judicial contra a Triaza, que nesta altura tem vários processos contra o município. Daquilo que sabe, de que forma a a Câmara pode sair vitoriosa contra a empresa, sendo que em alguns desses processos o tribunal não deu razão à Triaza?

Não tenho conhecimento das peças processuais. Não pedi para ter acesso, mas quero antes ter uma reunião com os advogados da Câmara por causa de um novo pedido de licenciamento. É a primeira reunião que terei com a equipa de advogados. Penso que o município poderia entrar com uma ação de interesses difusos, pois temos provas de que o que lá está depositado e mal-acondicionado comprova a existência de ilegalidades com prejuízos sérios e graves para a população. Porque não avançar também e obrigá-los numa primeira instância a selar a célula?

Temos um grande investimento a caminho do concelho ao que tudo indica, com o projeto do ecoparque industrial Aveiras Eco Valley. Já faz um ano que o Valor Local fez uma reportagem sobre este investimento em que a ouvimos também. De lá para cá teve mais alguma informação pro parte do presidente?

Rigorosamente nada. Vejo isso com muita apreensão. Na altura foi apresentado como algo eloquente, mas nada mais sei. Muito rapidamente vieram apresentar-nos o projeto como que a querer dizer: Ora tomem lá, foi connosco, PS, na Câmara que este projeto apareceu! Depois caímos neste vazio.

Estamos a aproximar-nos das eleições legislativas. O Chega está com sondagens muito confortáveis. A Inês Louro está na calha para ir em lugar elegível nas listas do partido para a Assembleia da República?

Vamos ter conselho nacional, ainda teremos congresso, e neste momento é importante para mim e para o partido encarar este momento do país com muita seriedade. Estou de corpo e alma no partido, mas também na oposição na Câmara de Azambuja

Não é incompatível ser deputada e vereadora

Sim não é. Aliás o Chega tem dois deputados que também são vereadores. Estamos confiantes, não só pelas sondagens, mas também no que são os nossos propósitos.

 

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