“O principal partido da oposição está mais preocupado em ter como orientação estratégica um roteiro radical para se igualar à Direita que existe à sua Direita, em vez, de se posicionar como legitimo herdeiro da Direita Democrática em Portugal e alternativa credível ao Partido do Governo.”

É uma verdade insofismável que existe no Parlamento uma maioria clara que sustenta o Governo do Partido Socialista e que este como todo e qualquer Executivo deve, assim, usá-la para cumprir um programa de trabalho, um plano de acção. A legitimidade desse programa e da acção governativa é, em grande medida, resultado do sufrágio eleitoral e do mandato que advém do voto popular. Noutros termos, há uma maioria política fruto da vontade expressa, em urna, por um conjunto alargado dos nossos concidadãos.
Quase sempre, a uma maioria eleitoral soma-se uma maioria social que reforça, que vitaliza, que robustece, que empodera a primeira!

Não obstante, os votos são sempre os votos e não deixam de ser estes que dão corpo e verdade eleitoral à voz dos cidadãos e das populações. É, também, deste modo que se consolida o contrato de confiança entre quem elege e quem é eleito e é por esta via que se concretiza uma delegação de poder, um acto de representação enraizado na escolha livre e democrática que cada um faz.

Assim, com a soma de tantas outras opções similares dá-se dimensão e forma à tão referida maioria para governar e, uma vez mais, à natureza aritmética da mesma, junta-se uma maioria social feita de tons e matizes variáveis que vai alimentando a legitimidade da decisão política e o «estado de graça» da governação.

E é aí, que acredito, se encontra o «busílis da questão», ou seja, a desconstrução da maioria politica que sustenta o Governo parece estar alicerçada na contestação social, a qual em democracia é sempre legítima, mas tem sido interpretada como o sinal omnipresente da degradação do mandato maioritário que sustém a acção legislativa do PS no Parlamento e o cumprimento do seu Programa de Governo.

As últimas sondagens, que são sempre, um retrato circunstanciado, indicam essa quebra de identificação popular com a acção governativa, assim como, os principais analistas políticos e demais fazedores de opinião têm sublinhado esta leitura.

Estejamos, igualmente, cientes que os populistas encartados que se alimentam do rumor infundado e do tremendismo das conversas de café não deixarão este assunto cair.
A oposição na sua vocalização plural, também, não se excluirá de uma e outra vez, de sinalizar essa situação, dando, igualmente, palco e voz ao descontentamento.
No entanto, as razões para tal rejeição, por parte da oposição, serão credíveis, aceitáveis na sua fundamentação, representarão a chamada maioria social que vai muito além do circunstancialismo da maioria politica que no Parlamento sustenta o Governo?

Questionemo-nos, também, se as oposições ao Governo e à maioria parlamentar do PS têm conseguido marcar, positivamente, a agenda politica? Quais as alternativas que têm apresentado para combater as desigualdades que em resultado da escalada inflacionista e do impacto económico e social da crise pandémica e da guerra na Ucrânia, se têm feito sentir? Que propostas de melhorias apresentaram quanto às questões da energia, da educação e da valorização da escola pública, no pacote “Mais Habitação” ou tão-só quanto ao papel de Portugal na União Europeia?

O principal partido da oposição está mais preocupado em ter como orientação estratégica um roteiro radical para se igualar à Direita que existe à sua Direita, em vez, de se posicionar como legitimo herdeiro da Direita Democrática em Portugal e alternativa credível ao Partido do Governo.

A Esquerda à Esquerda do PS não pretende propor nada de substantivo, prefere carregar no adjectivo do protesto irresponsável onde não há nenhum compromisso, não há lugar a nenhuma negociação, não há nada para sugerir a não ser acordo nenhum!
É a assunção da ideia extremófila de quanto pior melhor…. Um ideário, assaz, revolucionário, mas muito pouco reformista!

O PS, no seu lugar tem de cumprir o que prometeu no programa eleitoral, mas, ao mesmo tempo, tem de construir pontes de convergência, promovendo o diálogo consequente, reforçando alianças mobilizadoras de ideias, pessoas e projectos ao dinamizar um movimento de interacção, compromisso e acordo com a sociedade civil, não deixando de envolver os parceiros sociais, assim como, as forças vivas e mais dinâmicas das autarquias locais e nas regiões.

O contrário será o acantonamento, será ficar legado ao isolamento politico, reduzido à «guettização» de uma maioria solitária sem raízes profundas.

Está muito a tempo de fazer da maioria parlamentar uma ferramenta de transformação, um instrumento para uma dinamização colectiva e abrangente da sociedade e que coloque a vida concreta das pessoas, das famílias e das empresas no centro da decisão politica.
São muitos os sinais, os desafios e as expectativas, mas os Socialistas têm a obrigação de reforçar, atraindo e ganhando de volta, uma vez mais, a maioria social que consolidou a maioria política obtida em Janeiro de 2022, servindo, com certeza deste modo, as pessoas, as comunidades, os territórios e o País!

Artigo anteriorAzambuja vai receber simulacro de acidente ferroviário
Próximo artigoCandidatura do Campino a Património da Unesco e acabar as obras do Museu Municipal são os principais objetivos

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor escreva um comentário
Por favor, o seu nome