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Grande Tribuna com Paulo Colaço – “Diziam que ele não descolava”

Em primeiro lugar, quero esclarecer que escrevi, gravei e enviei este episódio na manhã domingo. O Valor Local vai receber este áudio muito antes de fecharem as urnas.

Neste momento eu não sei os resultados e só assim é que as minhas palavras fazem sentido.

Desde o momento em que o Luís Montenegro foi eleito líder do PSD a ladainha dos comentadores foi sempre esta: “Luís Montenegro não descola”.

Queriam dizer com isto que, apesar da má governação de António Costa, as sondagens não punham o PSD claramente à frente do PS.

O Luís Montenegro tinha conseguido subir a força do PSD nas sondagens em relação aos resultados de Rui Rio nas legislativas de 2022, mas o PSD estava longe de se destacar do PS nas intenções de voto.

Ora, o discurso geral era tão pessimista que começou a afetar os meus amigos próximos. Eu tentava explicar-lhes a falácia da afirmação “Luís Montenegro não descola”, e acalmar-lhes o medo do Chega.

Comecemos pela falácia “Luís Montenegro não descola”. A pergunta que eu fazia aos meus amigos era esta: de todos os líderes do PSD que foram primeiros-misnistros vindos da oposição, qual deles tinha descolado do PS nas sondagens? A resposta é: nenhum. Zero! Quer isto dizer que “descolar” não é critério para se vir a ganhar.

Outro ponto: desde que foi eleito líder do PSD, Luís Montenegro sabia duas coisas. A primeira, é que teria à sua frente uma longa legislatura. Mais de quatro anos. O que, numa maioria absoluta, significaria que o governo não ia cair antes.

E Montenegro sabia também que as pessoas não decidem com quatro anos de antecedência em que partido vão votar. Nem com três anos, nem dois, nem um. As pessoas que “desempatam” uma sondagem decidem com menos de uma semana em que partido vão votar.

Logo, desde que foi eleito líder do PSD, a grande preocupação de Luís Montenegro não eram as legislativas de 2026, porque estavam muito longe. A grande preocupação de Luís Montenegro era manter-se como presidente do PSD, nas internas deste ano. Porque só a revalidação da liderança garantiria a Luís Montenegro que iria disputar as legislativas de 2026.

Portanto, grande parte do trabalho era interno, como envolver o partido na revisão estatutária e visitar todas as concelhias do país.

Sim, também era preciso fazer oposição, e ninguém nega que foi feita, mas pouco do que se fizessem em 2022 ou 2023 ecoaria em 2026.

Naturalmente, tudo isso mudou quando Marcelo anunciou a dissolução do Parlamento.

Relativamente ao medo do Chega, uma das coisas que eu também dizia aos meus amigos é que o Chega ia crescer, verdade, mas não com os números enormes que se anunciavam. Porque esses números estavam a ser sondados muito tempo antes das eleições. Um tempo de descontentamento e – sobretudo – de desorientação geral. Só com o papel à frente é que muitos percebem que têm na ponta da caneta a possibilidade de mudar o governo e estudam a importância do voto útil.

Por isso, dizia eu aos meus amigos: tenham calma! Confiem na capacidade do Luís Montenegro. Ele saberá fazer uma boa campanha, mostrar que é líder, mostrar que tem ideias, atrair o apoio do centrão e o voto útil à direita.

 

Até para a semana.