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Grande Tribuna com Paulo Colaço – “Não é o Planeta que Precisa de Ser Salvo”

A Procuradoria-Geral da República anunciou na semana passada que já foram instaurados 23 processos-crime contra jovens ultimamente conhecidos por “ativistas climáticos”.

Os processos reportam-se a crimes que vão da desobediência qualificada ao dano qualificado, passando pelo atentado à segurança de transporte rodoviário, resistência e coação.

A Procuradoria informou também que dois dos processos que corriam já tiveram julgamento, resultando em penas de prisão, substituídas por dias de multa.

Assim, a primeira coisa que vos quero dizer é: palmas para o Ministério Público.

Muitas vezes, quando estão em causa valores importantes – como o Ambiente – e quando os prevaricadores merecem, genericamente, alguma simpatia – como o caso dos jovens, as autoridades acabam por “deixar andar”.

Foi o caso de dois ministros deste governo, que apanharam com jatos de tinta. O que fizeram eles? Comeram e calaram. Devem ter achado que era demasiado impopular ir atrás de uns pobres jovens que apenas querem um planeta melhor.

Felizmente, o Ministério Público não foi na mesma cantiga e resolveu fazer o seu trabalho.

Alguns dirão: “Deixem os jovens em paz! Eles só estão a defender aquilo em que acreditam!”. Ora, esse é o mesmo argumento que muitos usam para defender o terrorismo do Hamas. Porque todos os terroristas estão a defender aquilo em que acreditam.

Portanto, a segunda coisa que vos quero dizer é: a liberdade de expressão tem os limites que a lei consagra. Aliás, são limites iguais em todo o espaço das democracias liberais.

A terceira coisa que vos quero dizer é: eu tenho consciência de que estes jovens estão partidariamente manipulados; que muitos provavelmente são mais ativistas políticos do que climáticos; e que as suas ações são públicas e violentas porque querem noticiários.

Porém, nada disso tira verdade à quarta coisa que vos quero dizer: tirando a violência, todo o barulho é bem-vindo para acordar esta sociedade surda para os alertas do clima.

Termino com a quinta mensagem: Não é o planeta que precisa de ser salvo, somos nós. O planeta cá vai continuar alegremente. Aliás, este planeta já viu partir os dinossauros e não consta que tenha chorado.