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Grande Tribuna com Sara Velez – “O Sobressalto no Grupo Global Media”

Nas últimas semanas do ano de 2023 e nas primeiras de 2024, o nosso país acordou para uma realidade muito preocupante, vivida num dos principias grupos de media em Portugal: o Global Media Group, proprietário de títulos como o Diário de Notícias, Jornal de Notícias, TSF, o Jogo, para destacar apenas os mais importantes.

Na verdade, e depois de durante o ano de 2023 na sequência de uma alteração à estrutura acionista do grupo, com promessas de investimento e reforço dos títulos, surgem em outubro as primeiras notícias de que haveria problemas financeiros e de que seria necessário proceder a uma restruturação que passaria, entre outras coisas, por despedimentos coletivos.

Acompanhei este tema na Assembleia da República, que dado o sobressalto causado por tais notícias, desenvolveu um conjunto de audições, onde puderam ser ouvidos, entre outros, jornalistas, sindicatos, comissões de trabalhadores, conselhos de redação, direções demissionárias. Dessas audições resultaram relatos de diferentes incumprimentos da Lei de Imprensa, não pagamento de salários, salários em atraso, não pagamento de subsídios ou pagamento dos mesmos por duodécimos de forma ilegal, ameaça de recurso ao despedimento coletivo, redações transformadas em “nano redações”, interferências inaceitáveis na linha editorial como é o caso da suspensão de todos os programas de opinião na TSF.

Todas estas questões e outras que foram colocadas são muito graves e descrevem uma situação que ameaça a qualidade da nossa democracia.

A Imprensa, a sua qualidade, a forma e as condições em que os seus profissionais: os jornalistas exercem as suas funções são também essenciais para aquilo que é a qualidade da nossa democracia.

E nenhum jornalista, ou outro profissional qualquer, pode ser verdadeiramente livre quando lhe faltam os recursos para viver com dignidade.

Porque não há democracia sem imprensa livre. E a Liberdade de Imprensa bem com a liberdade dos jornalistas que lá trabalham são imprescindíveis para a qualidade da mesma e para o escrutínio indispensável ao funcionamento das nossas instituições.

A Comunicação Social tem papeis consagrados na Constituição da República portuguesa não por acaso.

A situação vivida neste grupo de media deve-nos provocar sim um sobressalto cívico, porque este pode ser apenas o princípio.

A forma como olhamos para o papel que os media desempenham no nosso país, as condições em que os mesmo operam e a importância que têm para a nossa democracia têm que ser temas prioritários na próxima legislatura e ter reflexo nos diferentes programas eleitorais, ou não celebrássemos este ano 50 anos do 25 de Abril.

Até para a semana