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Opinião: Grande Tribuna com Paulo Colaço “O nosso pior defeito”

Os portugueses têm muitas qualidades. A maior de todas é a coragem. Somos um povo corajoso.

Mas também temos defeitos. O maior de todos é a nossa incapacidade de gerir o presente fazendo conta com o futuro. Somos negligentes.

E a negligência tem guiado a nossa história enquanto país. Isso vê-se em duas coisas.

Gastamos hoje o dinheiro de amanhã. E vamos sempre deixando para o futuro os problemas do presente. Dizendo de outra maneira, adiamos todas as nossas decisões difíceis.

Como diz um grande pensador basco, Daniel Innerarity (na foto), “o futuro é o caixote do lixo dos políticos do presente”.

Os governos fracos fogem dos temas mais difíceis quando a solução mexe com o conforto dos seus eleitores mais próximos. Problemas como a saúde, a emigração jovem, a sustentabilidade da segurança social, a habitação, o despovoamento do interior, os baixos salários da função pública, até teriam solução, mas essa solução não é popular. E os políticos fracos fogem dela.

Os políticos fortes enfrentam essa impopularidade. Avançam para a sua missão, ainda que isso lhes custe a eleição. Mas os políticos fracos não arriscam fazer essa mesma troca. Governam apenas com facilidades.

É por isso que o PS é o partido em Portugal que governou mais tempo. Porque o Partido Socialista criou uma regra que segue religiosamente, ou seja, “Governar é adiar”.

Assim, a solução socialista é tranquila: resolver só os problemas mais urgentes, contentar o público menos esclarecido… e quem vier no futuro que pague a conta!

Claro que nem toda a gente no Partido Socialista é assim, mas são assim os socialistas que vão governando.

E seguidos, já são oito anos a empurrar com a barriga. Seria tão importante que os empurrássemos também…

Até para a semana.