Os habitantes de Casal das Balas, freguesia de Santana da Carnota, Alenquer, continuam a aguardar que a estrada principal de acesso à localidade seja reaberta ao trânsito.
​A circulação automóvel está interdita, desde o final do ano passado, na sequência de uma intempérie que assolou o concelho, que levou a uma derrocada de terras e por questões de segurança a estrada teve de ser fechada. A população é obrigada a fazer um desvio de cerca de três quilómetros por outra via alternativa em terra batida, mas segundo foi dado a conhecer depois da nossa reportagem no local, está a ser finalmente asfaltada. O levantamento topográfico do terreno encontra-se em marcha tendo em vista a requalificação do troço.

Segundo a moradora Maria Odete Nascimento o incómodo “é bastante grande” para as cerca de 50 pessoas que vivem nesta aldeia, e que ficam com o coração nas mãos, se algum dia e em caso de emergência uma ambulância não conseguir chegar à localidade devido a este compasso de espera, até que a consolidação da escarpa seja uma realidade. Uma pedra de grandes dimensões permanece na localidade do Soupo, onde nos encontrámos com a população, como memória do dia em que a intempérie deixou aquela zona do concelho de Alenquer sobressaltada e impedida, passados largos meses, de utilizar a estrada principal rumo a Casal das Balas. O penedo não foi retirado porque pode, eventualmente, servir de tampão a uma habitação adjacente, no caso de novos desprendimentos provenientes da encosta.

Alguns elementos da população estiveram numa reunião de Câmara de Alenquer recentemente a exigir obras no local. Foi dito que devido às condições meteorológicas não havia condições de segurança. Já quanto à necessidade de asfaltamento da segunda estrada, prometido desde 2016, havia impedimentos relacionados com intervenções da Águas de Alenquer. Certo é que depois de muita insistência da população, e passadas escassas semanas após a presença de vários habitantes da localidade nessa sessão, as obras estão a decorrer, segundo apurou o nosso jornal à hora de fecho desta edição.

O vereador com o pelouro das Obras, Tiago Pedro, juntou-se à nossa reportagem, que teve lugar dias antes, e deu a conhecer que o cronograma da principal intervenção na encosta junto à estrada que liga Soupo a Casal das Balas foi atrasada, porque durante o inverno não houve condições de segurança para avançar com as obras, mas que as mesmas serão uma realidade antes do próximo inverno. “Deixo aqui o meu compromisso!”. A população foi perentória: “Isto tem de ser reparado rapidamente antes do inverno antes que venha cá parar abaixo mais um penedo”. A população atualmente cumpre o desvio pela via que agora está finalmente a ser asfaltada, “mas no fim do mês são muitos euros em combustível, porque há quem tenha de fazer várias viagens por dia”, acrescenta a moradora Maria Odete. Por ser em terra batida, “muitos automóveis têm ficado danificados, fora o pó que suja os carros”.

“Infelizmente para sair daqui temos cada vez mais dificuldades, há quem experimente ainda fazer o percurso pela via principal, tentando contornar os obstáculos, mas o mais certo é as viaturas caírem num buraco. Já o tentei fazer. Fui de marcha-atrás até lá cima. Apanhei um susto”, dá conta Filomena Rodrigues.

Aproveitando a presença do eleito da autarquia, a população Instou Tiago Pedro quanto aos prazos. Raquel Ribeiro nem quer imaginar que o inverno deste ano vai chegar e a obra ainda não esteja pronta. “Espero que não comecem a obra e depois estejam três semanas sem aparecer”, lançou Raquel Ribeiro. Tiago Pedro deu a conhecer que, segundo os trâmites da contratação pública, a obra pode demorar cerca de um mês até ir para o tereno. “Pois num tirinho temos aqui o inverno.”, desabafou Maria Odete. “Temos pessoas com idades muito avançadas na localidade e onde a ambulância só entra de marcha-atrás. A obra é precisa o quanto antes”, lembrou a moradora.

Jorge Oliveira, presidente da junta de freguesia de Carnota, diz estar a acompanhar as preocupações da população, e entende que são necessários estudos para que a consolidação da encosta e a obra na estrada avancem. Por outro lado, lembra que o alcatroamento daquela que hoje é a via alternativa foi uma promessa do presidente da Câmara, Pedro Folgado.

Tiago Pedro dá conta que após a intempérie, a autarquia não procedeu imediatamente à contratação das obras devido à instabilidade da encosta “e com receio de que mais material se desprendesse” colocando assim em risco pessoas e bens, de acordo cum um parecer emitido pela Proteção Civil. Desde então têm sido efetuadas visitas semanais dos técnicos do município para avaliar das condições de intervenção na estrada. Já esteve no local uma empresa que efetua este tipo de trabalhos, “porque não são muitas no mercado a fazê-lo”. “Foi decidido que não havia condições de segurança para medir as rachas, e ir para o terreno durante o inverno. Foi necessário que o terreno enxugasse, o que já aconteceu”, descreve, dando conta que “nesta fase estamos em fase de contratação do projeto” que vai contemplar a consolidação do terreno com estacas de betão, fixação dos elementos rochosos com uma malha, entre outras intervenções tidas como necessárias.

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