A Junta de Freguesia de Cardosas quis saber quais as diferenças e semelhanças entre uma junta de uma grande cidade e uma junta mais rural de aldeia na gestão do território. Fábio Amorim, presidente da Junta de Cardosas, no concelho de Arruda dos Vinhos, convidou por isso Cláudio Lotra, presidente da junta de Alverca/Sobralinho, concelho de Vila Franca de Xira, para uma conversa sobre a proximidade e necessidades das duas freguesias

Por um lado, e vistas as distâncias, parecem contextos diferentes e com necessidades diferentes. No entanto quando observadas mais de perto, há realidades que se tocam, sendo os métodos de abordagem substancialmente diferentes.

Desde logo, destaca-se a densidade populacional. Alverca representa cerca de 40 mil habitantes, tendo engrossado esse número após a agregação do Sobralinho. Já Cardosas, não ultrapassa os 5 mil habitantes, muitos deles espalhados por vários locais, sendo que o perímetro urbano é mesmo a localidade.

Das diferenças, para além da abordagem na resolução dos problemas, destaca-se ainda o orçamento. A freguesia das Cardosas, com pouco menos de 100 mil euros, e Alverca com cerca de 2 milhões de euros por ano.

Embora exista diferença nos números, há com certeza uma realidade comum. Ambos os presidentes de junta se queixam que as verbas são escassas para levar a cabo o trabalho do dia a dia.

Fábio Amorim fala na dificuldade de encontrar recursos humanos. Uma dificuldade também sentida pelo presidente da Junta de Alverca Sobralinho que refere que quando chegou à autarquia, dado que foi pela primeira vez eleito, em 2021, a média de idade dos trabalhadores rondava os 60 anos. Ambos lamentam que os concursos para integração de pessoal demorem “eternidades”, e nem sempre há interessados em fazer determinados trabalhos. A função de coveiro é uma das mais difíceis, concordaram. Ambos comungam da ideia de que há trabalhadores que ficam para além daquilo que é o horário de trabalho para resolveram as questões.

Também nos executivos há diferenças. Cláudio Lotra está a tempo inteiro. É o único na junta de Alverca que deixou o seu trabalho para “abarcar” esta missão. Sustenta que ainda assim não chega, porque as solicitações são muitas e mesmo com sete elementos é difícil chegar a todo o lado. Fábio Amorim refere do seu lado, que esse é também um problema. O seu executivo é mais pequeno, logo torna tudo mais difícil.

No entanto Fábio Amorim aposta na proximidade aos fregueses. Algo mais difícil numa junta de uma cidade, mas que na aldeia vai tendo os seus frutos. O autarca refere que as pessoas gostam que a junta se preocupe com elas, e que faça visitas, por exemplo, ao comércio com frequência.

Em Alverca, o executivo anda na rua também e ouve os fregueses bastas vezes sobre os mais variados assuntos. Sendo que numa cidade, os canais de comunicação não são tão diretos, pese embora o facto de a junta de Alverca possuir várias delegações, e dias para o atendimento por parte do presidente.

Nas prioridades, há também semelhanças. Os recursos, no que toca a equipamentos, são igualmente escassos e ambos os presidentes têm de fazer uma gestão cuidada.

Fábio Amorim que vai falando com os seus fregueses não tem dúvidas. O que mais preocupa as pessoas é a rede viária, depois vem o serviço da junta, nomeadamente, o atendimento, e a oferta cultural e desportiva. “Ou seja, as pessoas continuam aqui neste território mais preocupadas com a questão da circulação e da mobilidade”.

Já em Alverca, a prioridade muda um pouco. A oferta cultural é uma prioridade num território urbano, e até neste campo Cláudio Lotra sublinha a sua preocupação por alguma excessiva concentração de eventos na sede de concelho.

Contudo, a junta fez por contrariar essa questão, criando o projeto “Descentralidades” que leva a cultura a todos os cantos da freguesia, e que na sua primeira edição, venceu mesmo o prémio “Autarquia do Ano,” na categoria de cultura e património.

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