A Ecociclo, empresa do grupo Sonae, já recebeu luz verde da Câmara e da Assembleia Municipal de Azambuja para instalar em Vila Nova da Rainha um Centro de Recuperação e Tratamento de Resíduos não Perigosos e Não Metálicos, que se destina grosso modo a reciclar resíduos de madeira. Contudo para a oposição na Câmara não se justifica dar luz verde a este projeto através do interesse público municipal pois não estão visíveis os benefícios para o concelho.

Rui Corça, do PSD, ouvido pelo Valor Local, refere que embora o projeto tenha as suas virtualidades, porque possui uma componente de transformação e aproveitamento de resíduos de madeira provenientes da atividade da Sonae e dos seus armazéns em Azambuja, não está claro do ponto de vista ambiental, quais os possíveis impactes que aquela indústria, que pretende instalar-se na Quinta da Malhada Velha, numa área de 25.800m2, em Vila Nova da Rainha, a cerca de um quilómetro das casas dos moradores, poderá produzir. Pode vir a ser geradora quer de ruídos, quer de poeiras. “Seria fundamental termos um parecer técnico da área do Ambiente da Câmara nesse sentido”.

A Ecociclo produz estilha de madeira a partir da moagem de paletes e móveis usados com vista à produção de aglomerado de madeira numa lógica de circularidade do produto. Uma das medidas mitigadoras com vista à menor libertação de poeiras passa pela pulverização dos materiais com água. Já quanto ao ruído, no seu estudo ao qual o Valor Local teve acesso, a empresa define a concretização de uma cortina arbórea para o efeito. Mas segundo Rui Corça há informação nestes dois campos que urge ser esclarecida.
Como contrapartida a empresa compromete-se a efetuar obras na estrada de acesso ao local, onde pretende ser instalado o centro de recuperação e tratamento de resíduos, “estando em conversações com outros armazéns vizinhos essa possibilidade com vista ao tráfego passado”.

No passado, a Sonae também se socorreu da figura do interesse público municipal desta feita para a sua unidade de frio inaugurada em 2021, argumentando que estaria salvaguardado o estacionamento automóvel no interior das suas instalações, o que não veio a acontecer e quando hoje assistimos à proliferação de viaturas nas bermas da Nacional 3, e como tal questionamos Rui Corça se serão de fiar as garantias que aquele grande grupo económico deixa agora para mais um projeto em que está a socorrer-se da figura do interesse público municipal, como o fez no passado. “Não querendo fazer comparações, pode deixar-nos algo apreensivos, mas recordo que de momento apenas vemos entraves do ponto de vista processual e não do investimento em si”.

Já Inês Louro, do Chega, lamenta que a informação tenha chegado ao conhecimento da oposição de forma pouco fundamentada. Para além disso houve um convite da empresa ao presidente da Câmara para ir conhecer outro centro da Ecociclo noutra zona do país “e os vereadores da oposição que teriam todo o interesse em participar nessa visita nem sequer foram convidados”. Os dois vereadores lamentam que este caso da Ecociclo pode à semelhança de outros ser enquadrado na falta de um novo PDM aprovado o que leva a que sucessivas empresas se socorram do instrumento de interesse público municipal, transformando o território numa manta de retalhos e não num todo uniforme com as zonas de expansão industrial devidamente assinaladas, o que não é o caso.

A vereadora que em tempos apresentou uma proposta de regulamentação do interesse público municipal dá conta que o projeto da Ecociclo não demonstra de que forma pode ser importante para o concelho. Em causa estão para já sete postos de trabalho, o que é manifestamente escasso para merecer outra opinião. Do ponto de vista económico “não sabemos no que se traduzirá em impostos para o município”, acrescenta. O Valor Local contactou ainda Silvino Lúcio, presidente da Câmara, que desvaloriza as críticas argumentando que a empresa em causa não é poluente e que a matéria prima a ser reciclada é de extrema importância. “Fomos à unidade do Seixal deles e conseguimos perceber que não ocorre libertação de poeiras, porque esse era um dos receios, pois humedecem os materiais antes de entrarem para trituração”. O autarca refere ainda que está assegurada a obra na estrada de acesso ao local onde se pretende instalar, “com uma largura de cerca de 9 metros”.

A Ecociclo tem atualmente três centros deste tipo em Alfena, Souselas e Seixal. A empresa pretende agora implantar este novo centro em Azambuja e um outro em Valença do Minho.

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