A vereadora da CDU na Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Joana Bonita, acusa o executivo de Fernando Paulo Ferreira (PS) de “empurrar os projetos e as decisões com a barriga”. Numa entrevista de balanço de mandato, a vereadora sublinha que o atual executivo não tem como prioridade as pessoas, e por isso é crítica das decisões tomadas em reunião de Câmara, onde diz existir um “acordo quase tácito” com o PSD nas grandes questões.

No entanto, tem sido gradual a perda de votos por parte dos comunistas não só em Vila Franca, como no país, ainda assim e mesmo sem a presidência de nenhuma junta de freguesia no concelho de Vila Franca, e apenas com oito eleitos na Assembleia Municipal, a vereadora diz que não sente que a CDU esteja sozinha.

“Não nos sentimos sozinhos porque sabemos que são justas as reivindicações e as propostas que levamos. Temos a certeza de que representamos a solução para os problemas das pessoas”.

Joana Bonita faz um balanço positivo da atuação daquela força política no concelho, e recusa a ideia assente no facto de o partido ter feito parte da solução de Governo em 2015 em conjunto com o PS e Bloco de Esquerda, como algo que tenha estado na origem da perda de votos do PCP.

Joana Bonita foi cabeça de lista da CDU nas autárquicas de 2021

“O nosso balanço demonstra que não fazemos as coisas e não dizemos as coisas da boca para fora” e recorda: “Temos neste momento mais de 80 propostas e requerimentos apresentados na Câmara Municipal, e ainda um largo conjunto de outras propostas nas várias freguesias e na Assembleia Municipal. Todas ligadas aos 10 eixos que apresentámos na altura da campanha eleitoral, alicerçadas naquelas que são as vontades e as necessidades da população”.

Joana Bonita refere que a CDU está atenta aos problemas da população e dá como exemplos as áreas da saúde ou do ambiente, tendo em consideração as diferentes intervenções relativas à Pedreira de A-dos-Melros no segundo caso e a falta de médicos em todo o concelho no primeiro.

São menos os eleitos daquela força política, mas isso, refere a vereadora, acaba por ter um papel motivador “com a mesma garra, o mesmo compromisso e a mesma força ou até mais”. “Como dizemos sempre nós não viramos a cara à luta nem baixamos os braços”.

Ainda assim, a vereadora salienta que uma das razões que levaram à derrota dos comunistas, terá sido “a chantagem que foi sendo feita ao longo da campanha eleitoral relativamente ao Plano de Recuperação e Resiliência e a necessidade de manter, ou de virar a cor política das juntas de freguesia” na tentativa de ficarem “da mesma cor da Câmara municipal”.

No entanto, conclui, que ano e meio passado, o facto de todas as juntas serem PS “não resolveu absolutamente nada no concelho de Vila Franca de Xira”. Refere ainda que o atual presidente da Câmara prefere trabalhar com outras forças políticas como o PSD ou o Chega, e a CDU aparece como último recurso. “Aquilo que sentimos é que o PS não quer trabalhar connosco prefere trabalhar com o PSD, e muitas vezes com outras forças políticas ali representadas”, e lamenta que o executivo de Fernando Paulo Ferreira prefira “manter estas opções que tem vindo a tomar ao longo dos últimos 26 anos de poder socialista”.

A vereadora dá como exemplo o chumbo de uma proposta da CDU que isentava os comerciantes de taxas de ocupação de via pública, mas fê-lo para a empresa que tem a concessão das trotinetes durante os próximos dez anos. Nesse sentido, Joana Bonita refere que a autarquia tem dois pesos e duas medidas.

Joana Bonita acusa Fernando Paulo Ferreira de “criar um concelho para inglês ver” e sublinha que essa não é a visão da CDU. “Não queremos ser Lisboa. A CDU não tem esta visão política para o concelho de Vila Franca de Xira. Queremos beneficiar desta proximidade à capital, mas queremos manter a identidade do concelho”.

Joana Bonita defende ainda a criação de espaços culturais no município, e recorda que existem associações que estão a sair de Vila Franca na área do teatro “porque neste momento não dispõem de espaços de ensaio”.

Joana Bonita recorda ainda o estado em que se encontra o Teatro Salvador Marques em Alhandra e a inexistência de uma sala de cinema, algo também notado pelo realizador João Botelho, numa passagem pelo concelho.

A vereadora lamenta também que não tenha sido possível realizar a reposição das freguesias. A proposta foi travada pela Assembleia Municipal pelo PS, e vinca que tal como estão não conseguem servir as pessoas, quer pelos horários das delegações, quer pela falta de transportes no concelho.

Segundo Joana Bonita, a construção da Loja do Cidadão no edifício da Auchan em Alverca não resolve os problemas das pessoas. A vereadora refere que a autarquia tem edifícios próprios e que se substitui ao estado neste campo.

Para a vereadora, as “vivendas das OGMA” seriam uma solução, que segundo o projeto da CDU, serviriam não só para habitação social, como vai acontecer agora no âmbito do programa 1º Direito, como para um posto central de apoio à população com os vários serviços que constam numa loja do cidadão.

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