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Produtores de Alenquer e Arruda reforçam presença na Festa da Vinha e do Vinho

A Festa da Vinha e do Vinho, em Arruda dos Vinhos, voltou a ser palco para dois dos nomes mais marcantes da região: a Adega Mor, com o já emblemático Pata Choca, e a Quinta de São Sebastião, distinguida este ano no Concurso Mundial de Bruxelas, realizado na China. Dois projetos diferentes, mas unidos por uma mesma ideia: afirmar a identidade vitivinícola do Oeste e mostrar que a região continua a produzir vinhos com caráter e consistência.

Criado em 2016, o Pata Choca tornou-se rapidamente o vinho mais reconhecido da Adega Mor, funcionando como ponto de viragem para o projeto. Mauro Coluna, responsável pela marca, explica que o vinho abriu portas no mercado nacional e ganhou espaço sobretudo na restauração e em garrafeiras especializadas, onde a empresa prefere posicionar-se. “Não trabalhamos para grandes superfícies. Queremos preservar identidade e exclusividade”, sublinha. A Adega Mor trabalha cerca de 230 hectares entre Alenquer e Sobral de Monte Agraço, num ano marcado por desafios climáticos, mas mantendo a aposta na qualidade. A presença na Festa da Vinha e do Vinho é, para Mauro, essencial para reforçar a ligação ao público e ao território.

Já a Quinta de São Sebastião apresentou um tinto que continua a somar distinções lá fora. O prémio conquistado na China é, para Duarte Rico, “um reconhecimento importante do trabalho que acreditámos desde o início”. O vinho junta Syrah e Touriga Nacional, com estágio em barrica de carvalho francês, resultando num perfil que combina estrutura, frescura e elegância — três características que a equipa associa ao terroir de Arruda. A exploração trabalha 250 hectares e recorre também a produtores parceiros, garantindo crescimento sem perder ligação ao território.

Mauro Coluna em representação da Adega Mor

A internacionalização tem sido uma aposta forte. A China, apesar de momentos de incerteza devido à discussão sobre potenciais tarifas, mantém-se como um mercado estratégico. “O mais difícil foi a imprevisibilidade. Quando não sabemos o que vai acontecer, todo o planeamento fica em suspenso”, recorda Duarte Rico. Ainda assim, acredita que Portugal continua competitivo graças à relação qualidade-preço e ao crescente interesse dos consumidores chineses por vinhos portugueses.

Ambos os produtores sublinham o papel do certame de Arruda como momento-chave de contacto direto com quem consome e aprecia vinhos da região. Entre medalhas internacionais e referências já firmadas no mercado nacional, a Festa da Vinha e do Vinho volta a mostrar a vitalidade de um território que, entre Alenquer, Sobral e Arruda, continua a afirmar-se pela autenticidade, pela qualidade e por projetos que crescem ligados à terra.

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