Ricardo Pereira, antigo guarda-redes da Seleção Nacional e figura marcante do Boavista e do Sporting, esteve no Rádio Show de Nuno Vicente, na Rádio Valor Local, onde revisitou alguns dos episódios mais intensos da sua carreira e refletiu sobre o presente do futebol português.
O antigo internacional começou por lembrar o célebre Benfica–Sporting de há duas décadas, marcado por uma decisão arbitral ainda hoje discutida. Sem dramatizar o lance, Ricardo preferiu sublinhar que nem ele nem Luisão foram os verdadeiros protagonistas da polémica, apontando antes para a má interpretação do árbitro, que já não está entre nós. Recordou também a semana dura que se seguiu, com a derrota na final da Taça UEFA frente ao CSKA de Moscovo, num período em que a equipa orientada por José Peseiro “merecia ter conquistado algo importante”.
Sobre o Boavista, clube onde se tornou homem e profissional, Ricardo não escondeu a tristeza pela situação vivida no Bessa, descrevendo-a como “uma dor de alma”. Lembrou os tempos em que a camisola axadrezada era temida na Europa e confessou que falar do clube é hoje “como falar de alguém prestes a perder um membro da família”. Ainda assim, espera voltar a ver os axadrezados no lugar que considera justo pela história centenária do emblema.
Ligado atualmente à Federação Portuguesa de Futebol e à Seleção A, comentou o recente sorteio do Mundial, lembrando que “um sorteio é isso mesmo, um sorteio”, e que Portugal terá sempre de enfrentar adversários fortes, independentemente do nome. Defendeu que o futebol não é matemático e que o ranking, por si só, não explica vitórias ou derrotas. Reforçou ainda o desejo, que diz ser comum a todos os portugueses, de ver a seleção chegar pela primeira vez ao topo de um Campeonato do Mundo.
Ricardo falou também das seleções jovens, após o recente título mundial de sub-17, rejeitando comparações entre gerações. Destacou a evolução do jogo, da preparação física e das metodologias de treino, lembrando que o talento continua a existir, mas que a exigência é hoje muito maior.
No final, deixou uma nota sobre o percurso da “geração de ouro”, da qual fez parte, lamentando que, apesar da qualidade excecional dos atletas, não tenha sido conquistado nenhum título. Ainda assim, garante que o grupo marcou uma era e abriu caminho ao futebol moderno da seleção portuguesa.
A entrevista integrou a emissão especial do Rádio Show de Nuno Vicente, durante a gala dos 75 anos do Grupo Desportivo de Azambuja.




