O Gabinete de Crise Especial de fim de ano da Rádio Valor Local reuniu, na manhã desta quarta-feira, vários comentadores para um balanço de 2025 e uma antevisão dos principais desafios de 2026, num programa marcado pela análise política, económica e internacional.
Ao longo de quase uma hora de emissão, Francisco Bento, Jorge Carvalho, Rita Nunes, Nuno Antão e Pedro Martins passaram em revista os acontecimentos que marcaram o último ano, desde as eleições autárquicas e legislativas à situação económica do país, sem esquecer os conflitos internacionais e o contexto geopolítico.
Francisco Bento destacou as mudanças políticas a nível local, sublinhando viragens inesperadas em alguns concelhos da região, bem como o desempenho económico de Portugal no contexto europeu. O comentador defendeu que a previsibilidade e a estabilidade são essenciais para empresas e famílias, considerando que o crescimento económico e o aumento do salário mínimo são sinais positivos. No plano internacional, apontou a guerra na Ucrânia como o principal fator de instabilidade, defendendo que a sua resolução será determinante para 2026.
Jorge Carvalho centrou a sua análise na contestação social ao pacote laboral proposto pelo Governo, considerando a greve geral um dos momentos mais marcantes de 2025. Para o comentador, o ano ficou marcado pela rejeição dos trabalhadores a medidas que considera penalizadoras das famílias e do tempo de trabalho. Para 2026, apontou como prioridade a derrota desse pacote laboral e a necessidade de aumentos salariais para responder ao custo de vida e ao problema da habitação.
Rita Nunes descreveu 2025 como um ano politicamente agitado, com eleições e alterações no equilíbrio entre esquerda e direita, incluindo surpresas a nível local. A nível nacional, destacou o caso Spinoviva como símbolo da persistência dos “casos e casinhos” na política, alertando para o afastamento dos cidadãos da vida pública. Do ponto de vista económico, sublinhou as dificuldades sentidas pelas pequenas e médias empresas face à carga fiscal, defendendo maior margem para que trabalhadores e empresários tenham mais rendimento disponível. Para 2026, antecipou um ano politicamente intenso, marcado pelas eleições presidenciais, defendendo estabilidade governativa.
Nuno Antão apontou o apagão elétrico registado em abril como o episódio mais revelador de 2025, por ter exposto a falta de preparação do país para situações de emergência. O comentador alertou para a dependência energética e para a ausência de mudanças estruturais após o incidente. No plano internacional, mostrou-se pessimista quanto a 2026, sublinhando a instabilidade geopolítica e a vulnerabilidade da economia portuguesa a choques externos, apesar dos progressos registados nos últimos anos.
Pedro Martins destacou as eleições presidenciais como o tema central do arranque de 2026, defendendo que existe um sentimento de mudança em relação ao papel do Presidente da República. Analisou o posicionamento dos principais candidatos e enquadrou o debate nacional no contexto da guerra na Ucrânia, considerando que o conflito acabou por reforçar a NATO e alterar o equilíbrio internacional. Para o comentador, 2026 será um ano decisivo do ponto de vista político.
O programa contou ainda com a participação dos ouvintes, que através do WhatsApp da Rádio Valor Local partilharam opiniões sobre 2025, descrevendo-o como um ano difícil, marcado pelo aumento do custo de vida, salários curtos e incerteza quanto ao futuro.
Este Gabinete de Crise Especial marcou o encerramento do ano na Rádio Valor Local. O programa regressa em fevereiro de 2026, com novos conteúdos e o acompanhamento da atualidade regional, nacional e internacional.




