António José Inácio não esconde a desilusão nem a crítica política. O presidente da União de Freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa acusa o PSD e a Iniciativa Liberal de terem provocado deliberadamente uma rutura no entendimento que garantia maioria ao executivo, ao votarem contra o Plano e Orçamento para 2026 e abandonarem as funções executivas. Em entrevista ao programa Hora Local, da Rádio Valor Local, o autarca considera que a decisão compromete a estabilidade governativa e coloca a freguesia num impasse que pode mesmo conduzir a eleições antecipadas.
Eleito pelo movimento independente Póvoa Mais Forte, com apoio do PSD, António José Inácio construiu após as autárquicas um acordo político com as forças da direita, numa assembleia de freguesia marcada por um equilíbrio muito apertado. PSD e Iniciativa Liberal somam seis mandatos, o PS elegeu também seis elementos, o Chega cinco, seguindo-se CDU, Bloco de Esquerda e CDS. Foi neste contexto que nasceu um entendimento que agora chega ao fim.
Para o presidente da junta, a rutura não resulta de divergências técnicas insanáveis, mas de opções políticas que considera incompreensíveis, sobretudo depois de meses de reuniões e trabalho conjunto. António José Inácio rejeita liminarmente as críticas feitas ao orçamento, nomeadamente as acusações de gestão irresponsável e de desequilíbrio financeiro, sublinhando que os encargos com pessoal são uma realidade estrutural antiga, herdada de anteriores mandatos.
O autarca explica que a reorganização do executivo, incluindo a existência de elementos a meio tempo, teve como objetivo garantir maior capacidade de resposta aos problemas da freguesia, esclarecendo que dois desses meios tempos são suportados pela Administração Central, reduzindo o impacto direto no orçamento local. Ainda assim, admite que a rejeição do documento financeiro coloca a junta em regime de duodécimos, limitando seriamente a capacidade de investimento ao longo de 2026.
António José Inácio contesta igualmente as acusações relacionadas com alegados favorecimentos, irregularidades administrativas ou condicionamento de trabalhadores, garantindo que não existiram novas contratações e que todas as decisões foram tomadas dentro da legalidade. Para o presidente da junta, estas críticas configuram uma tentativa de desgaste político que acaba por penalizar a população.
Perante o novo quadro, o autarca afirma estar disponível para dialogar com todas as forças políticas representadas na Assembleia de Freguesia, sem exceções, procurando construir consensos mínimos que permitam desbloquear a governação. Ainda assim, admite que, caso não seja possível alcançar um entendimento, o cenário de eleições antecipadas torna-se inevitável.
Apesar da instabilidade política, António José Inácio garante que a junta continuará a assegurar o funcionamento dos serviços essenciais, destacando a boa articulação com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, nomeadamente nas áreas da higiene urbana, espaços verdes, manutenção do espaço público e apoio social. O presidente sublinha que estas continuam a ser prioridades estratégicas do mandato, independentemente do contexto político.
Num momento que classifica como particularmente exigente, António José Inácio diz confiar na maturidade política dos eleitos e na capacidade de diálogo para ultrapassar o impasse, mas deixa claro que não abdica daquilo que considera ser o interesse maior da União de Freguesias: estabilidade, proximidade às pessoas e capacidade de resposta aos problemas concretos da população.




