A pressão do tráfego pesado e a falta de infraestruturas rodoviárias voltaram a marcar a reunião de Câmara de Azambuja, com críticas à ausência de resposta estrutural do Estado face ao crescimento logístico do concelho.
O PSD levou a debate a necessidade de uma ligação à A1 no eixo Vila Nova da Rainha–Azambuja e a construção de uma rotunda na EN3, numa zona considerada crítica. “Estamos a falar de um problema conhecido há anos e que continua sem solução. A Nacional 3 está sobrecarregada e é preciso criar alternativas”, foi defendido.
Os social-democratas sublinharam ainda que o aumento da atividade logística não foi acompanhado pelo reforço das acessibilidades. “Não podemos continuar a aprovar mais carga logística sem garantir previamente as infraestruturas necessárias”, alertaram, defendendo também a criação de zonas de estacionamento para pesados em várias freguesias do concelho.
Do lado do executivo, o presidente da Câmara, Silvino Lúcio, reconheceu o problema, mas deixou dúvidas quanto à concretização das soluções. “Não é novidade nenhuma, andamos a falar disto há anos”, afirmou, lembrando que já existiram contactos com o Governo sobre a matéria. Quanto à ligação à A1, foi direto: “No mínimo são 10 milhões de euros. Não estou a ver o Estado disponível para fazer esse investimento”.
O autarca admitiu ainda que a futura linha de alta velocidade poderá criar condicionantes ao traçado de novas infraestruturas, reforçando a incerteza sobre a concretização de um novo nó de acesso.
A discussão evidenciou também a crescente pressão do tráfego pesado nas estradas municipais, muitas delas sem capacidade para suportar esse fluxo. “Estamos a ficar com um problema que não é municipal, é nacional”, foi referido no debate, numa crítica à falta de intervenção das entidades centrais.
Nesse contexto, o município admite avançar com restrições à circulação de pesados em algumas vias, medida que poderá ser equacionada a curto prazo.




