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Lixo e limpeza urbana voltam a incendiar reunião de Câmara em Benavente

A limpeza urbana, a recolha de monos e a situação do antigo estaleiro municipal da Coutada Velha voltaram a marcar a reunião de Câmara de Benavente. Paulo Cardoso, vereador do Chega, abriu o tema lembrando que passaram “100 dias” desde a tomada de posse do atual executivo e defendeu que chegou o momento de “agir”. O eleito afirmou que o concelho continua com “um problema muito grave na recolha dos monos e na recolha do lixo” e pediu ao vice-presidente Paulo Abreu “uma palavra de alento” para os munícipes que se dizem indignados com a situação.

“Em pleno século XXI eu não posso acreditar que, ainda esta semana, os serviços municipais tenham despejado na Rua 1.º de Maio uma carga de lixo a céu aberto”, afirmou Paulo Cardoso, considerando que os eleitos foram escolhidos “para dar soluções” e “resolver os problemas imediatos” da população.

Frederico Antunes, também eleito pelo Chega e vereador com pelouros, colocou o foco no antigo estaleiro municipal da Coutada Velha, defendendo que ali funcionou, na prática, um espaço irregular de deposição de resíduos. “O concelho tinha um aterro ilegal a funcionar”, acusou, sustentando que eram ali despejados monos, entulhos e outros materiais. O vereador afirmou ainda que, com o controlo entretanto colocado no local, muitos munícipes passaram a despejar resíduos “na zona mais próxima de casa”.

Coutada Velha transformada em aterro municipal?

O tema da Coutada Velha já tinha sido notícia, depois de denúncias sobre resíduos indevidamente depositados naquele espaço. A autarquia admitiu então a existência de materiais que não deveriam estar no local, mas rejeitou que se tratasse de um aterro municipal, explicando que o espaço era usado como estaleiro para receção temporária de verdes e entulhos, estando em curso trabalhos de triagem e remoção dos resíduos irregulares.

Hélio Justino, vereador da CDU que integrava o executivo que liderava a Câmara anteriormente, contestou a leitura feita por Frederico Antunes e rejeitou que tivesse existido uma orientação municipal para despejo ilegal de lixo. “Nós colocámos lá entulhos e verdes, de forma legítima, que depois eram triturados”, afirmou, admitindo apenas que “pontualmente” possam ter ocorrido situações irregulares, nomeadamente quando não havia possibilidade de encaminhamento para a estação de transferência de Salvaterra ou para a Raposa.

O eleito comunista reconheceu, contudo, que a situação dos resíduos “não está melhor” e classificou os monos como “o verdadeiro flagelo”. Hélio Justino defendeu que o problema exige mais equipas, fiscalização e uma campanha forte de sensibilização. “Se tivesse sido eleito presidente, tinha adquirido de imediato duas carrinhas ligeiras e formado mais duas equipas para fazerem os chamados agendamentos”, afirmou, acrescentando que existia uma campanha preparada, no valor de cerca de 24 mil euros, para incentivar os munícipes a pedir a recolha domiciliária em vez de depositarem monos junto aos contentores.

Na resposta, Paulo Abreu, vice-presidente da Câmara de Benavente, reconheceu que o lixo tem sido tema recorrente nas reuniões do executivo, mas sublinhou que o novo executivo está em funções há poucos meses. “Em cinco meses é difícil já recuperar tudo”, afirmou, garantindo que a autarquia está a preparar ações de campanha, novas equipas, aquisição de viaturas e uma estratégia para melhorar os agendamentos.

O autarca insistiu que não basta anunciar recolhas marcadas se a Câmara não tiver capacidade interna para responder. “Não é só lançar agendamentos. Temos de ter internamente capacidade de resposta”, disse. Ainda assim, Paulo Abreu admitiu que o problema também depende do comportamento dos munícipes. Segundo o vice-presidente, há locais que são limpos de manhã e voltam a estar cheios de monos poucas horas depois. “Isso é impossível, porque teríamos de passar quase de meia em meia hora ao pé dos caixotes, e isso é humanamente impossível”, afirmou.

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