A Câmara Municipal de Benavente aprovou, por unanimidade, a criação de uma Comissão Interna de Acompanhamento dedicada ao projeto do novo Aeroporto Luís de Camões, infraestrutura prevista para o Campo de Tiro da Força Aérea, em Samora Correia, e que representa uma das maiores transformações territoriais previstas para a região nas próximas décadas.
A decisão foi tomada na reunião do executivo de 19 de janeiro de 2026, com o objetivo de garantir uma participação ativa do município ao longo de todas as fases do projeto, desde o planeamento às soluções técnicas, passando pelo acompanhamento dos impactos territoriais, ambientais, sociais e económicos.
A comissão será presidida pela presidente da Câmara, Sónia Ferreira, integrando todos os vereadores do executivo, o presidente da Assembleia Municipal e os presidentes das Juntas de Freguesia de Samora Correia, Santo Estêvão, Benavente e Barrosa, bem como dirigentes e técnicos municipais das áreas do urbanismo, ambiente, obras municipais, planeamento, ação social e jurídica.
Segundo a autarquia, esta estrutura permitirá assegurar um acompanhamento permanente de um investimento classificado como estruturante à escala nacional, cujos reflexos diretos se farão sentir no território, desde a mobilidade ao ordenamento urbano, passando pela habitação, educação, saúde, ambiente e turismo.
O município reconhece que a instalação do novo aeroporto, associada às futuras acessibilidades rodoviárias e ferroviárias, irá provocar profundas alterações no tecido social e económico local, com previsível crescimento populacional, maior pressão sobre os serviços públicos e uma reconfiguração significativa da ocupação do solo. Neste contexto, a Câmara pretende garantir uma intervenção próxima, técnica e estratégica, que permita antecipar problemas e defender os interesses das populações.
Moradores pedem ajustamento técnico da localização
Paralelamente à criação desta comissão municipal, associações de moradores do concelho de Benavente voltaram recentemente a intervir no debate público, defendendo um ajustamento técnico da microlocalização do futuro aeroporto, sem colocar em causa a decisão estratégica já tomada quanto à sua construção.
Numa carta dirigida à ANA – Aeroportos de Portugal e ao Governo, os subscritores propõem a deslocação das pistas cerca de cinco quilómetros para oeste, fazendo-as coincidir com a atual pista militar existente no Campo de Tiro da Força Aérea, em Samora Correia. Segundo os proponentes, esta solução permitiria minimizar os impactos ambientais, sociais e económicos, mantendo intacta a viabilidade global do projeto.
Entre os subscritores encontram-se associações de moradores com implantação no concelho de Benavente, nomeadamente Mata do Duque e Herdade do Zambujeiro, consideradas áreas particularmente sensíveis face ao traçado atualmente previsto. A iniciativa é ainda apoiada pela União das Freguesias de Pegões e pela União das Freguesias de Poceirão e Marateca, refletindo uma preocupação alargada a territórios vizinhos.
Os estudos técnicos citados na proposta indicam que esta alteração permitiria uma redução de cerca de 70% da população exposta a níveis críticos de ruído aeronáutico nas fases iniciais do projeto, o que corresponderia a mais de quatro mil pessoas. Os subscritores defendem que este ajustamento teria efeitos positivos na qualidade de vida, na saúde pública e na eficiência ambiental, nomeadamente ao nível da pegada carbónica.
As associações sublinham ainda que a proposta não pretende atrasar nem politizar o projeto, mas sim contribuir para uma solução mais equilibrada e socialmente sustentável, tendo em conta o impacto prolongado que uma infraestrutura desta dimensão terá ao longo de várias décadas.
Município quer intervenção ativa e vigilante
É neste contexto que a Câmara Municipal de Benavente reforça a importância da Comissão Interna de Acompanhamento, assumindo o compromisso de intervir ativamente no processo, acompanhar as decisões técnicas e políticas, e defender os interesses do concelho e das populações diretamente afetadas.
O novo Aeroporto Luís de Camões, anunciado oficialmente pelo Governo em 2024 como substituto do Aeroporto Humberto Delgado, deverá localizar-se entre os concelhos de Benavente e Montijo, com uma capacidade projetada para cerca de 45 milhões de passageiros anuais, estando prevista a sua entrada em funcionamento entre 2036 e 2037.
Perante a dimensão do projeto, o município considera essencial assegurar uma presença permanente nas estruturas de decisão e planeamento, garantindo que o desenvolvimento económico associado ao aeroporto seja acompanhado por políticas públicas eficazes nas áreas da habitação, mobilidade, ambiente e coesão social.




