A CDU de Azambuja reagiu de forma dura às críticas que se seguiram à reunião de Câmara de 20 de novembro, onde foi aprovado o aumento da tarifa da água. A coligação admite ter-se abstido, mas rejeita de forma categórica que o aumento tenha passado por sua causa, acusando o PSD de “mesquinhez” e de tentar manipular a opinião pública para “ficar bem no retrato”.
No comunicado enviado à imprensa, a CDU recorda que o aumento estava previsto no contrato celebrado entre o município e a empresa Águas de Azambuja. Para a coligação, a alternativa ao cumprimento contratual poderia ter sido desastrosa: a rescisão do acordo por parte da empresa e a possível entrada do Município em falência técnica devido à indemnização a pagar.
A coligação, que não poupa críticas à forma como o PSD abordou o tema, fala em “novelas” e “intrigas”, acusando a oposição de falta de seriedade e de profundidade na discussão. Segundo António Torrão, vereador da CDU, a única via sensata passa por preparar a reversão da privatização do serviço de abastecimento de água, recolocando-o na esfera pública. É, diz a CDU, o único caminho responsável num momento em que nenhuma força política apresentou um plano capaz de suportar essa mudança.
A coligação tenta desmontar ainda o que classifica como uma narrativa “falsa e intencional” do PSD: a de que a CDU teria viabilizado a proposta. “O empate registado na votação só foi ultrapassado com o voto de qualidade do presidente da Câmara”, tenta justificar-se a CDU, lembrando que os votos contra vieram do PSD e da vereadora do Chega, enquanto três vereadores do PS votaram a favor.
CDU incita ao início do processo de revisão da privatização da ADAZ
A CDU diz-se, aliás, a única força política que colocou em cima da mesa uma visão de futuro, propondo o início do processo de reversão da privatização das Águas de Azambuja. E questiona os críticos: perante a inexistência de um plano e a possibilidade de uma indemnização avultada, o que fariam? Chumbariam a proposta, arrastando o concelho para uma crise financeira? Ou renegociariam o contrato, prolongando ainda mais a concessão que agora condenam?
Numa entrevista recente, Silvino Lúcio, atual presidente da Câmara, referiu à nossa reportagem que à data de hoje não está em cima da mesa mover um processo dessa magnitude, afirmando que de momento as relações com a Adaz são positivas e caminham num bom rumo face à possibilidade de o contrato ser prolongado dentro de 14 anos.
Para a CDU, aquilo a que o PSD chama sentido de responsabilidade não passa de “política de terra queimada”, movida pela ânsia de poder e pela repetição de acusações vazias. A coligação defende que o concelho ganha mais com debate sério do que com ataques pessoais e deixa um aviso: “Sem um estudo que prepare a passagem da gestão da água para o domínio público, os problemas vão perpetuar-se”. “A CDU garante ter essa vontade; falta saber se os restantes partidos também a têm.”
O comunicado termina com uma frase que resume todo o tom do texto: há quem prefira ser “idiota útil”, instrumentalizando a vereação, e há quem trabalhe como “fiscalizador atento”, assumindo o papel de alternativa. A CDU diz saber onde se encontra.




