A renúncia de Orada Chambel ao cargo de vice-presidente da Câmara Municipal do Sobral de Monte Agraço continua a gerar polémica política no concelho, depois das declarações feitas pela própria na reunião do executivo municipal desta quarta-feira, 7 de janeiro.
A renúncia foi anunciada pela presidente da Câmara, Raquel Lourenço, que justificou a saída da vereadora com “motivos de foro pessoal”, enaltecendo o profissionalismo e a sensibilidade de Orada Chambel nas áreas da educação, cultura e ação social, durante os cerca de dois meses em que exerceu funções no atual mandato.
Na mesma reunião, tomou posse como vereador Carlos Pombo, gestor comercial de 60 anos, que se seguia na lista da coligação Sobral Pode Mais (PSD/CDS-PP/PPM/MPT). O vereador da CDU, Diogo Gregório, passou de regime de meio tempo para tempo inteiro.
Orada Chambel saneada da Câmara
Contudo, quando o ponto parecia encerrado, Orada Chambel usou da palavra no período destinado ao público para ler uma curta declaração que alterou o tom da sessão. A ex-vice-presidente afirmou que, no dia 27 de dezembro, foi chamada à Câmara pelo presidente da Assembleia Municipal, Joaquim Biancard Cruz, para uma reunião que contou também com a presença da presidente da Câmara e da secretária da vereação, na qual lhe foi apresentado um documento de renúncia para assinatura.
“Eu não estou doente”, afirmou Orada Chambel, esclarecendo que assinou o documento por considerar que “não estavam reunidas as condições para continuar a exercer funções”. Quando Raquel Lourenço voltou a elogiar publicamente as qualidades humanas e profissionais da ex-vice-presidente, foi interrompida pela própria, que declarou: “Eu não me demiti, senhora presidente”.
Ex Vice-presidente recebe palavras de apoio do PS e CDU
As palavras de Orada Chambel motivaram reações imediatas dos restantes eleitos. A vereadora do PS, Fátima Estevão, afirmou que “pelos vistos a senhora vice-presidente foi forçada a demitir-se”, considerando “muito grave” o que se passou. Também Luís Soares, da CDU, elogiou a coragem da intervenção pública da ex-vice-presidente e manifestou indignação, afirmando que “o que se passou não dignifica a democracia nem o órgão que representamos”.
Raquel Lourenço fecha o capítulo e afirma que não vai prestar mais declarações
Entretanto, em declarações escritas enviadas posteriormente, Raquel Lourenço reforçou o agradecimento já expresso em reunião de Câmara, sublinhando o empenho, o sentido de serviço e a sensibilidade demonstrados por Orada Chambel nas áreas que tutelava, bem como a sua “solidariedade institucional” para com a presidente e os restantes membros do executivo.
A presidente da Câmara sustenta que a renúncia “foi o culminar de um processo” e resultou de “uma decisão pessoal”, que acompanhou, compreendeu e aceitou. Invocando respeito institucional e reserva em relação às funções que exerce, Raquel Lourenço afirma não ter mais declarações públicas a prestar sobre o assunto.
A divergência de versões deixa em aberto uma polémica política que marcou a primeira grande fratura pública do atual mandato autárquico em Sobral de Monte Agraço.




