O Diz Que Disse desta segunda-feira foi dominado pelo rescaldo das presidenciais e pela leitura do novo cenário político que leva António José Seguro e André Ventura à segunda volta a 8 de fevereiro. A emissão abriu com a promessa de ouvir os comentadores do programa Maioria Absoluta da Rádio Valor Local, num formato de participação especial que serviu para cruzar interpretações sobre vencedores e vencidos e, sobretudo, sobre o que está verdadeiramente em jogo na próxima etapa.
No debate em estúdio, Flávia Pimenta assumiu desde cedo o seu apoio pessoal a António José Seguro, defendendo que o apoio do PS chegou “no tempo certo” e reforçou a candidatura. Descreveu Seguro como um candidato com sentido de Estado e capacidade para unir, insistindo que a Presidência da República deve sobrepor-se às lógicas partidárias. Jorge Andrade, por sua vez, considerou o apoio do PS tardio e rodeado de indecisões internas, mas admitiu que o partido “acabou por acertar” no nome. Ainda assim, criticou a falta de conteúdo programático de Seguro, salientando que o candidato foi eficaz a evitar erros e a “jogar pelo seguro”, numa campanha onde as falhas de outros acabaram por pesar mais.
Um dos momentos mais marcantes foi o “diz que disse” de Flávia sobre a campanha de João Cotrim Figueiredo, que considerou a sua maior desilusão. Reconheceu a força da campanha digital e a capacidade de mobilização, mas apontou a gestão política do caso de assédio e a resposta dos apoiantes como fatores que fragilizaram a credibilidade. Criticou ainda o episódio em torno do pedido a Luís Montenegro para retirar apoio a outro candidato, classificando-o como um gesto rasteiro, e deixou também reparos à campanha de Gouveia e Melo, defendendo que a transição do perfil técnico para o político foi mal conduzida.
Na segunda metade, a conversa avançou para os discursos da noite eleitoral. A frase de Seguro, “regressei para unir os portugueses”, abriu debate sobre o tipo de escolha que o país terá pela frente. Jorge Andrade defendeu que não será uma eleição de direita contra esquerda, mas sim um confronto entre moderação e ultraconservadorismo. Flávia convergiu na ideia de que o eixo decisivo é democracia versus radicalismo, deixando críticas ao silêncio do PSD e do Governo quanto a um apoio claro na segunda volta. Já sobre André Ventura, ambos contestaram o retrato de campanha “sem ofensas” e sublinharam a estratégia de polarização e ruído. A emissão fechou com a referência ao discurso de Luís Marques Mendes, valorizando o assumir de responsabilidades como sinal de elevação política.
Participação especial: António Jorge Lopes e Cláudio Lotra, comentadores do programa Maioria Absoluta da Rádio Valor Local
António Jorge Lopes abriu a análise com a ideia de que não houve grandes surpresas e que, desta vez, sondagens e tendências estiveram próximas do resultado. Defendeu que as “maiorias presidenciais” se esgotam na noite eleitoral e que a verdadeira eleição começa agora, a 8 de fevereiro, entre António José Seguro e André Ventura. Considerou irrelevante extrapolar percentagens da primeira volta e sustentou que não faz sentido endossar votos, lembrando que um primeiro-ministro terá de governar com qualquer presidente eleito.
Cláudio Lotra sublinhou a descida da abstenção como nota positiva e descreveu a eleição como “de recordes” pelo número de candidatos e eleitores inscritos. Confirmou apoio a António José Seguro desde o início e atribuiu o sucesso do socialista à postura calma e moderada num ambiente de ruído e ataques. Defendeu que a vitória não se faz apenas com o voto das esquerdas e apelou à união de “todos os democratas”, enquadrando a segunda volta como uma escolha entre um moderado democrata e um extremista radical, rejeitando a leitura de esquerda versus direita.




