Os vereadores do PSD eleitos no executivo municipal de Alenquer não acompanharam a maioria na aprovação do voto de repúdio pelo anunciado encerramento das urgências obstétricas do Hospital de Vila Franca de Xira.
O documento foi apresentado no início da reunião do executivo camarário realizada esta segunda-feira, 9 de março, tendo sido aprovado pelos restantes eleitos. Os vereadores sociais-democratas Francisco Guerra e Filipe Rogeiro optaram por não votar favoravelmente a proposta.
No texto aprovado, o executivo manifesta forte preocupação com a decisão confirmada pelo diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde no passado dia 5 de março, que aponta para o encerramento das urgências obstétricas do Hospital de Vila Franca de Xira a partir de 16 de março de 2026.
A autarquia considera que a medida representa um grave retrocesso no acesso aos cuidados de saúde materno-infantis para a população da região. O hospital serve uma área de influência superior a 250 mil habitantes distribuídos pelos concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Benavente e Vila Franca de Xira.
O documento refere ainda que os municípios abrangidos não foram previamente auscultados sobre esta decisão, alertando para o impacto que o encerramento poderá ter em situações de urgência, sobretudo tendo em conta as dificuldades de mobilidade na região após as tempestades registadas no passado mês de fevereiro.
A Câmara Municipal de Alenquer sublinha também que algumas localidades já se encontram a mais de 30 quilómetros do Hospital de Vila Franca de Xira e que, com a eventual transferência da urgência obstétrica para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, a distância poderá ultrapassar os 50 quilómetros e mais de uma hora de deslocação.
No voto aprovado, o executivo considera que a medida compromete a segurança de grávidas e recém-nascidos, agrava desigualdades territoriais e representa um sinal de desinvestimento do Estado numa infraestrutura considerada fundamental para os concelhos da região.
O documento determina ainda que o voto de repúdio seja enviado ao primeiro-ministro, à ministra da Saúde, à direção do Serviço Nacional de Saúde e à Unidade Local de Saúde Estuário do Tejo, reiterando o pedido de reversão da decisão de encerramento da urgência obstétrica.




