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“Queremos o menor número possível de utentes em Loures”: a realidade da saúde em Vila Franca de Xira

Nas últimas semanas, o Hospital de Vila Franca de Xira tem estado em destaque com a notícia do fecho das urgências de obstétrica e ginecologia, que aconteceu esta segunda-feira, 16 de março.

Agora, o Conselho de Administração da ULS Estuário do Tejo sentou-se com os jornalistas para explicar com “clareza e transparência” toda esta questão.

O encontro aconteceu na manhã de quinta-feira, 19 de março e contou com a presença do Presidente Nuno Cardoso, Ana Azevedo, Sérgio Medina do Rosário, Helena Valentim Abrantes e ainda Catarina Paulino.

“Não é surpresa o cenário que encontramos, desde a falta de recursos humanos e um período difícil de degradação”, salienta o Presidente Nuno Cardoso. “Mas há necessidade de reconstruir e cuidar dos nossos utentes.”

Um desses serviços onde essa degradação se tornou cada vez mais evidente foi nas urgências de obstétrica e ginecologia. “Para que se possa apelidar de um serviço disponível, temos de ter mais do que um médico à disposição, que era o que tínhamos”, continua a explicar.

“Sabíamos que dar a volta ao serviço seria um desafio enorme.” No entanto, o Presidente salienta que continua a funcionar em toda a sua plenitude. “Continuam a existir partos, as grávidas continuam a ser acompanhadas. Aqui a questão, é que as urgências mais graves são encaminhadas para o Hospital Beatriz Ângelo em Loures.”

A verdade, é já há alguns anos que a urgência de obstétrica e ginecologia já não cumpria o seu propósito e muitos utentes acabam por ser deslocados para os hospitais das redondezas. “O propósito é ter uma disponibilidade de prestação de cuidados. Precisávamos de ter um mínimo dois especialistas presentes nas urgências e raras eram as vezes onde isso acontecia.” Ao longo dos últimos anos, este serviço acabava por estar referenciado, principalmente aos fins de semana.

“Estava longe de ser bom, mas o projeto não se altera em nada. A nossa urgência não desapareceu, só está a acontecer num local geograficamente diferente. Isto não coloca em causa a nossa aspiração de termos um serviço na sua plenitude.”

Por isso, neste caso, o conselho de administração esclareceu que esta decisão veio tentar mitigar a imprevisibilidade que esta falta de serviço tinha perante os utentes. “Nem sempre sabíamos para que hospitais podiam seguir. Por isso decidimos criar uma solução que poupasse tempo de resposta e direcionasse os utentes para o mesmo hospital.” Para tornar isso possível, no Hospital Beatriz Ângelo em Loures vão estar cinco enfermeiros do Hospital de Vila Franca de Xira, para receber estas urgências.

“Continuam a nascer bebés em Vila Franca. O bloco de partos está aberto, é nos permitido fazer agendamentos de cesarianas e indução de trabalho de parto. Só não acontece todos os dias da semana.”

Se antes faziam-se 20 a 30 partos por mês, agora este número duplicou até aos 60. Um detalhe é assegurado, as grávidas vão continuar a ser acompanhadas no hospital. E em casos de urgências menos grave, o hospital facilita o acesso às consultas. “Isto para que o número de doentes em Loures seja o menor possível”, salienta Helena Valentim Abrantes.

Estas consultas procuram ter uma resposta em 24 horas e acontecem de segunda a domingo das 9 às 17 horas. Estas vagas são disponibilizadas após o contacto com a Saúde 24. No entanto, esta não é a única preocupação do conselho.

“Nos últimos meses entraram mais dois novos pediatras. Havia este serviço das 9 às 20 horas de segunda a sexta-feira, e a partir do próximo fim de semana, vamos ter urgência aberta de segunda a domingo das 9 às 20 horas.”

Mas as soluções ainda não são suficientes, uma vez que é necessário reforço em várias áreas, desde a cardiologia até à gastroenterologia, por exemplo.

Quando chegou à direção este conselho de administração encontrou 16 camas de medicina interna fechadas por falta de profissionais, entre médicos e enfermeiros. “Os cuidados intermédios estavam encerrados. Mas não descansamos até conseguimos reverter a situação”.

Apesar das boas noticias, um dos principais problemas mantêm-se: os recursos humanos. “Temos falta de médicos, enfermeiros e até de auxiliares de saúde. No último semestre saíram 66 médicos de família, num universo de cerca 120 e a maioria deles por aposentadoria.”

Por isso, nos últimos três meses a preocupação centrou-se em contratação destes profissionais e agora, cerca de 54 por cento dos utentes tem médico de família.

“Para ajudar os 46 por cento da população que continua sem médico de família, o Hospital tentou adotar algumas medidas.” A lista inclui desde mais consultas presenciais, apostar nas vídeo-consultas, aumento de consultas de psicologia e foi contratado um médico dentista.

“No caso das grávidas que não tenham médico de família, basta fazerem um pedido a qualquer unidade da ULS e fazemos um seguimento”, salienta Sérgio Medina.

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