A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, esteve na Barragem da Retorta numa visita que o presidente da Câmara de Azambuja considera determinante num momento de preocupação pública quanto à estabilidade da estrutura.
Em declarações exclusivas ao Valor Local, Silvino Lúcio sublinhou a importância da presença da governante no terreno. “Sinto que era importante a senhora ministra e os diversos ministros do nosso atual Governo virem ao terreno para verem a realidade dos factos e as dificuldades que nós temos”, afirmou.

O autarca referiu que a ministra se fez acompanhar pelos seus colaboradores mais próximos e que a situação tem sido acompanhada em articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente. O presidente da APA não esteve presente devido à situação no Mondego, mas, segundo Silvino Lúcio, “ligou-me mais tarde a dizer que está por dentro da situação”.
As intervenções realizadas na barragem contam com acompanhamento técnico do LNEC, Laboratório Nacional de Engenharia Civil. “As medidas que fizemos com esse acompanhamento foram acertadas para evitar a pressão que existe neste momento sobre os taludes da barragem e criar maior estabilidade”, explicou.
Sobre o conhecimento da existência da barragem, o presidente da Câmara clarificou que sabia que havia estruturas na zona da Retorta, mas nunca tinha visitado o local nem tinha noção da dimensão da massa de água ali acumulada. “Eu sabia que havia uma barragem ou duas na Retorta. Agora, não tinha conhecimento da dimensão da massa de água que ali está. Não conhecia o local, porque aquilo é propriedade privada e nós só entramos quando somos convidados ou em situação de emergência”, afirmou.

O proprietário fez-se representar no local por um engenheiro que, segundo o autarca, tem estado presente e disponível, tendo sido criadas novas fugas para aliviar a pressão sobre a estrutura. A proprietária não esteve presente por motivos de saúde, mas, de acordo com Silvino Lúcio, “estão completamente disponíveis para fazer aquilo que for recomendado”.
Questionado sobre eventuais irregularidades ou sanções, o presidente da Câmara foi claro quanto às prioridades. “O que me preocupa agora é salvaguardar os interesses mais elevados das pessoas e os bens. O mais importante é contermos e erradicarmos aquela situação de perigo iminente”, declarou.
Quanto à eventual responsabilização, remeteu essa avaliação para as entidades competentes. “Quem tem jurisdição sobre as barragens é o Ministério do Ambiente e a APA. Não é o município”, sublinhou.

Silvino Lúcio destacou ainda a importância da solidariedade institucional entre autarquias numa fase marcada por vários constrangimentos na região, defendendo articulação e cooperação para enfrentar situações de risco.




