O projeto “O Mundo é Aqui”, a decorrer na Escola Secundária Gago Coutinho, em Alverca, tem vindo a afirmar-se como uma ferramenta fundamental na integração de alunos estrangeiros na comunidade escolar, promovendo a inclusão, a partilha cultural e a aprendizagem da língua portuguesa de forma prática e participada.
Criado há cerca de três anos pelas professoras Dulce Vidal e Paula Luís, o projeto nasceu da necessidade de apoiar alunos oriundos de diferentes países, muitos dos quais chegam à escola sem dominar o português e, em alguns casos, sem falar inglês. O objetivo passa por facilitar a integração na escola e nas turmas, valorizando simultaneamente as culturas de origem desses alunos.
Bruna Mendes, aluna envolvida no projeto, explica que a iniciativa procura ajudar os colegas estrangeiros a sentirem-se parte da escola e da comunidade. Atualmente, a Escola Secundária Gago Coutinho acolhe alunos de cerca de 24 nacionalidades diferentes, incluindo alunos de países como Índia, China, Nepal, Brasil, Angola e Cabo Verde.
Ao longo do ano letivo são desenvolvidas várias atividades que promovem o contacto intercultural. Lourenço Moraes refere iniciativas como o “Natal Sem Fronteiras”, a criação de murais temáticos e a dinamização de eventos onde são apresentadas tradições, histórias e gastronomia dos vários países representados na escola. “Estas atividades ajudam a mostrar a diversidade cultural existente na escola e a incluir os alunos que chegam de novo”, sublinha.
Barreira da língua continua a ser uma das principais dificuldades
Para Gabriela Moreira, uma das principais dificuldades enfrentadas pelos alunos estrangeiros continua a ser a barreira da língua, um obstáculo que se reflete na aprendizagem das diferentes disciplinas. É precisamente nesse ponto que o projeto assume um papel central. A professora explica que os alunos são enquadrados no regime de Português Língua Não Materna, sendo avaliados de acordo com critérios próprios, que têm em conta a oralidade, a escrita, a interação cultural e a participação nas atividades do projeto.
Leonor Canteiro destaca ainda outras iniciativas desenvolvidas, como leituras de contos tradicionais, celebrações de datas festivas e semanas temáticas dedicadas à gastronomia internacional. Na atual semana multicultural, os alunos tiveram oportunidade de experimentar pratos típicos de vários países, como comida chinesa, feijoada indiana, calulu angolano e cachupa cabo-verdiana.
Segundo a equipa pedagógica, o projeto envolve não apenas alunos estrangeiros, mas também alunos portugueses, promovendo uma integração mútua. “Não se trata apenas de integrar quem chega, mas de criar pontes entre culturas”, explica uma das professoras responsáveis.
“O Mundo é Aqui” assume-se assim como um exemplo de inclusão ativa em meio escolar, mostrando que a diversidade cultural pode ser uma mais-valia para a aprendizagem.




