A Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço e as juntas de freguesia do concelho exigem respostas urgentes à EPAL – Empresa Portuguesa das Águas Livres, na sequência das sucessivas falhas no abastecimento de água que têm afetado a população nas últimas semanas.
A situação resulta de várias roturas nas condutas sob responsabilidade da empresa, ocorridas desde o final de janeiro, que provocaram interrupções prolongadas e sucessivas no fornecimento. Segundo o Município, desde o início da intempérie já se contabilizaram oito roturas, tendo o concelho acumulado um período de nove dias consecutivos sem um abastecimento regular de água.
A presidente da Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço, Raquel Lourenço, dirigiu-se diretamente à população para esclarecer a gravidade da situação e o impacto que tem tido no quotidiano das famílias e das empresas. “Estas últimas semanas têm sido muito difíceis para todos, para as famílias, para as empresas e também para as nossas equipas que estão no terreno. Desde o início da intempérie já se contabilizaram oito roturas destas condutas, na maioria das vezes sem qualquer previsão de resolução”, afirmou.
A autarca reconhece as dificuldades técnicas associadas à reparação da rede, agravadas pelas condições meteorológicas adversas e pela necessidade de repor o abastecimento de forma faseada, mas sublinha que estão em causa questões estruturais que ultrapassam o contexto imediato. “Sei que há cansaço e revolta, e eu compreendo. É verdade que as condições meteorológicas dificultam os trabalhos de reparação. É verdade que o enchimento das redes tem de ser feito de forma lenta e faseada para evitar novas roturas. Mas também é verdade que aquilo que está aqui em causa é algo maior. É a coesão social, é a saúde pública e é a atividade económica do nosso concelho”, declarou.
Perante a repetição das falhas e a ausência de uma solução definitiva, o Município decidiu avançar com medidas institucionais formais junto das entidades competentes. “Hoje, refletindo em equipa, tomámos duas decisões. A primeira, a de solicitar com carácter de urgência uma audiência com a senhora ministra do Ambiente e da Energia. A segunda, a de elaborar uma carta aberta dirigida à EPAL, subscrita pelo Município e pelas juntas de freguesia”, explicou Raquel Lourenço.
O objetivo destas iniciativas é exigir esclarecimentos, garantir a reposição estável do abastecimento e assegurar que sejam adotadas medidas estruturais que previnam novas falhas. A presidente da autarquia reforça, contudo, que o Município mantém disponibilidade para cooperar institucionalmente na resolução do problema, sem abdicar da defesa dos interesses da população.
“Continuamos a cooperar institucionalmente, mas não deixamos de defender com determinação os interesses dos sobralenses”, afirmou, agradecendo ainda à população pela forma como tem enfrentado a situação. “Obrigado pela vossa compreensão, pelo espírito de solidariedade e pela resiliência que têm demonstrado.”
A situação continua a ser acompanhada pelas autoridades locais, que aguardam agora respostas por parte da EPAL e do Governo, numa altura em que o abastecimento de água permanece um dos principais fatores de preocupação para a população e para a atividade económica do concelho.




