Na Universidade Sénior de Benavente, no polo de Samora Correia, um projeto solidário tem vindo a desenvolver-se desde outubro através da confeção manual de gorrinhos e botinhas em tamanho XXS, destinados a bebés prematuros internados em unidades de cuidados intensivos neonatais.
As peças, de dimensões muito reduzidas, são feitas à medida de bebés que nascem com seis ou sete meses de gestação e que passam os primeiros tempos de vida em incubadoras. O trabalho integra uma campanha nacional que decorre de dois em dois anos e que nasceu da iniciativa de uma mãe de uma bebé prematura, tendo mais tarde sido desenvolvida com o apoio da marca portuguesa Rosários 4 e da designer Filipa Carneiro, responsáveis pela divulgação das instruções técnicas e pela mobilização de tricotadeiras de todo o país.
Em Samora Correia, o projeto é dinamizado por Teresa Tavares, que acompanha as alunas ao longo do processo de aprendizagem e confeção das peças. “Este é um trabalho que exige tempo e continuidade, por isso fazia sentido começarmos logo no início do ano letivo”, explica, sublinhando que a iniciativa cruza a vertente solidária com a aprendizagem de novas técnicas. “O tricô obriga a concentração, a seguir instruções e a trabalhar uma linguagem simbólica.”
Atualmente participam no projeto cerca de meia dúzia de alunas, que produzem gorrinhos e botinhas seguindo instruções simples, mas rigorosas. Cada botinha pode ser concluída em cerca de meia hora, enquanto os gorrinhos exigem um pouco mais de tempo. Algumas alunas optam por levar os trabalhos para casa, outras preferem deixá-los na sala e retomá-los na aula seguinte.
Alunas tomaram o gosto por fazer peças tão pequeninas
Laura Leal, aluna que também acompanha o projeto, sublinha a importância destas iniciativas no contexto da Universidade Sénior, destacando o impacto que têm não só em quem recebe, mas sobretudo em quem participa. Para a docente, projetos desta natureza reforçam a aprendizagem ao longo da vida e criam um forte sentimento de utilidade e pertença, valorizando o saber fazer e a partilha entre gerações.
Regina Marques, outra das alunas, destaca o lado solidário da iniciativa. “Fazemos algo para ajudar alguém que precisa e isso dá-nos prazer. Sentimo-nos bem connosco próprias.” Também Matilde Brites sublinha o impacto do projeto. “É diferente fazer algo para os outros. Ocupa-nos a cabeça e não estamos a pensar em coisas más.”
Para Catarina Nabais, que começou a aprender tricô recentemente, o desafio tornou-se motivador. “No início sabia muito pouco, mas fui ganhando gosto. Agora faço em casa e já consigo fazer vários gorrinhos e botinhas.” Já Ana Maria, aluna que retomou o tricô após muitos anos, reconhece que a aprendizagem exige persistência. “Não é fácil, mas gosto muito de estar aqui e de participar.”
Uma preocupação assumida desde o início foi garantir que o projeto não implicasse custos adicionais para as alunas. As agulhas foram disponibilizadas e os fios resultam de contributos individuais e de materiais já existentes. “Havia pessoas que deixavam de vir por não quererem fazer despesas. Neste projeto isso não acontece”, explica a dinamizadora.
As peças produzidas são entregues às coordenadoras da campanha, que asseguram a sua distribuição pelas maternidades com cuidados intensivos neonatais. Embora nem sempre exista retorno direto sob a forma de testemunhos, a certeza de que os trabalhos chegam a quem deles necessita é motivação suficiente para continuar.




