“Ser empresário em Portugal é jogar um jogo onde as regras mudam constantemente, e o árbitro está contra ti.” A afirmação é de Rita Nunes, coordenadora do núcleo da Iniciativa Liberal (IL) em Arruda dos Vinhos, que protagonizou um dos discursos da convenção nacional do partido, realizada este fim de semana.
Consultora empresarial e presença ativa junto de pequenas e médias empresas, Rita Nunes pintou um retrato duro do que considera ser uma “realidade ignorada” pela classe política: o desaparecimento silencioso de negócios que não resistem à pressão do Estado.
“Trabalho todos os dias com empresários que querem apenas fazer o que sabem: produzir, empregar, crescer. Mas em vez de incentivo, encontram obstáculos. A cada passo, há uma taxa, um formulário, uma inspeção, uma incerteza”, denunciou, perante uma plateia atenta.
A dirigente liberal acusou o Estado de ser “ineficiente e hostil”, salientando que “quando é o Estado a falhar, a resposta é sempre a mesma: ‘é o sistema’. Mas quando é o empresário, vem a multa, vem o processo, vem a vergonha pública.”
Rita Nunes criticou ainda o peso da burocracia e o que classificou como uma “cultura de desconfiança” instalada nos serviços públicos. “Temos um Estado que parte do princípio de que todos os empresários são criminosos em potencial, até prova em contrário”, afirmou. “Há quem pense que os empresários estão a nadar em dinheiro. A verdade é que muitos estão a afundar-se em faturas que não conseguem cobrar e impostos que não fazem sentido.”
Num momento mais emotivo do discurso, a dirigente lançou um apelo direto à nova presidente da IL, Mariana Leitão: “Mariana, os empresários precisam de ti. Precisam da Iniciativa Liberal. Precisam de alguém que não desista desta luta.” E acrescentou: “Esta é a luta por quem acorda todos os dias a pensar se consegue pagar salários, por quem não dorme a tentar perceber como se cumpre mais uma obrigação fiscal.”
A concluir, Rita Nunes pediu ao partido que “não se desvie da missão de devolver justiça e racionalidade ao Estado”. Segundo ela, “é urgente recentrar o papel do Estado, deixando de ser concorrente e carrasco, e passando a ser aquilo que devia ser desde o início: um regulador imparcial, um parceiro justo, um garante da estabilidade” referiu.