A presença de Vila Franca de Xira na Bienal Internacional de Arte de Macau marcou um momento significativo para o município, não apenas no plano cultural, mas também na construção de relações institucionais e económicas com um dos mercados mais dinâmicos da Ásia. Em entrevista à Rádio Valor Local, o presidente da Câmara, Fernando Paulo Ferreira, fez um balanço “muitíssimo positivo” da participação, sublinhando que o Museu do Neo-Realismo esteve em Macau a representar Portugal, reforçando o trabalho internacional que a instituição tem desenvolvido nos últimos anos.
Para o autarca, o facto de o Museu ter sido o escolhido para apresentar a exposição de arte contemporânea portuguesa é resultado da “consistência do projeto museológico e da estratégia de diversificação cultural” que tem sido seguida. O autarca destaca que o município aproveitou esta presença para promover o território numa lógica integrada, levando para Macau elementos característicos da identidade local, desde o património cultural até à gastronomia e ao enoturismo. O vinho produzido Encostas de Xira foi apresentado em várias ocasiões e entregue ao Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong para ser utilizado em eventos oficiais.
A cultura tauromáquica, elemento profundamente ligado à identidade vilafranquense, também esteve em destaque. Dois jovens formandos da Escola de Toureio José Falcão viajaram com a comitiva para realizar apresentações de toureio de salão. Segundo o presidente da Câmara, a reação do público foi muito positiva, sobretudo porque a maioria das pessoas nunca tinha tido qualquer contacto com esta tradição. Para muitos visitantes, as demonstrações foram uma descoberta inesperada. A presença do mestre Vítor Mendes, que toureou em Macau antes da transição administrativa, conferiu um simbolismo adicional ao momento.

Para além da arte e da cultura, o município aproveitou a viagem para aprofundar relações e identificar potenciais oportunidades económicas. Fernando Paulo Ferreira explicou que a comitiva estabeleceu contactos com entidades locais, com a diáspora portuguesa e com o tecido diplomático, procurando identificar caminhos que permitam às empresas vilafranquenses explorar o mercado de Macau e Hong Kong. O autarca vê nesta deslocação uma oportunidade para o concelho alargar horizontes e fortalecer a capacidade exportadora de indústrias locais.
Fernando Paulo Ferreira não quis referir nomes de empresas, mas sublinhou que Vila Franca de Xira tem várias indústrias com potencial para se expandirem para aquele mercado, nomeadamente no setor alimentar, tecnológico e logístico. Nesta entrevista, reforçou que um dos objetivos da deslocação foi precisamente “abrir portas” e deixar contactos que permitam aproximações futuras. Acredita que a economia do território tem condições para competir internacionalmente e que a presença em Macau pode vir a traduzir-se em oportunidades concretas para algumas dessas empresas.
Destacou ainda o papel da diplomacia cultural na construção de relações duradouras. A Bienal permitiu apresentar Vila Franca de Xira como um território com identidade própria, capaz de mobilizar arte contemporânea, tradições e inovação. Para o município, o balanço final junta visibilidade institucional, reconhecimento museológico e a possibilidade de criar pontes económicas que poderão beneficiar o concelho nos próximos anos.
Oportunidades económicas e portas abertas para empresas vilafranquenses
Durante a presença oficial em Macau, a comitiva de Vila Franca de Xira aproveitou para estabelecer contactos com entidades locais e criar condições para possíveis investimentos de empresas do concelho no território asiático. Fernando Paulo Ferreira explicou que Macau e Hong Kong são mercados com forte dinamismo económico e com potencial para receber produtos e serviços oriundos de Vila Franca.
O autarca garante que a viagem permitiu iniciar conversações informais e deixar portas abertas para aproximações futuras entre empresários vilafranquenses e agentes económicos daquela região. “Aproveitámos também para deixar alguns contactos e abrir portas para futuros investimentos que possam existir de empresas do concelho naquela zona do mundo, que é um mercado em expansão e com muitas potencialidades”, afirmou ao Valor Local.
O autarca destaca também que a diáspora portuguesa e o Consulado-Geral de Portugal em Macau podem desempenhar um papel facilitador, ajudando a criar redes de contacto, apoiar apresentações de produtos e mediar aproximações com entidades locais. Para Fernando Paulo Ferreira, a presença na Bienal foi não só um momento cultural relevante, mas também um passo estratégico na diplomacia económica do município. “Foi uma oportunidade para promover o território e, ao mesmo tempo, preparar caminhos para a economia local se projetar fora do país.”




