Aveiras de Cima volta a ser, este fim de semana, o epicentro da celebração do vinho no concelho de Azambuja com o arranque de mais uma edição do Ávinho. A iniciativa assinala duas décadas de existência e afirma-se como uma das mais emblemáticas festas populares da região, mantendo viva a tradição que lhe vale a designação de “festa das adegas”.
Organizado em parceria pela Câmara Municipal de Azambuja, Junta de Freguesia de Aveiras de Cima e Associação de Produtores Vila Museu do Vinho, o evento continua a celebrar não apenas a produção local, mas todo o património vínico do concelho.
Na sessão de abertura, o presidente da associação, Manuel Correia, conhecido como Manel Bexiga, destacou o percurso coletivo que sustenta o evento.
“Este ano fazemos 20 anos de Ávinho. Deixou de ser adolescente para começar a ser adulto, e quando se começa a ser adulto tem outras responsabilidades”, afirmou, sublinhando o papel de todos os que contribuíram para a construção da iniciativa ao longo das últimas duas décadas.
O dirigente fez questão de recordar os fundadores do evento, evocando o antigo presidente da Câmara, Joaquim Ramos, e Júlio Martins, enquanto impulsionadores iniciais da festa, e reconhecendo o contributo dos diferentes executivos municipais que, ao longo dos anos, mantiveram o apoio ao projeto. A Junta de Freguesia de Aveiras de Cima foi igualmente destacada pelo apoio constante.
Mas foi sobretudo o envolvimento da comunidade que mereceu maior destaque. Manuel Correia agradeceu às coletividades, associações e filarmónicas que dão vida ao desfile etnográfico, considerado, nas suas palavras, “um dos melhores desfiles nacionais”, pela forma como retrata todo o ciclo da vinha e do vinho, desde o cultivo à produção.
“Há muita gente que não fazia ideia de como o vinho era feito. Este desfile é cultural, é didático e mostra todo esse processo”, referiu, acrescentando que este é um dos elementos distintivos do Ávinho.
O papel dos produtores foi também sublinhado como central para o sucesso da festa. São eles que, ano após ano, abrem as portas das suas adegas, criando o ambiente de partilha que caracteriza o evento.
“Não é só vender vinho. Há toda uma logística por trás, há custos, há preparação. Mas continuamos a fazer porque acreditamos nesta festa”, afirmou.
A dimensão comunitária foi igualmente reforçada pelo presidente da Junta de Freguesia de Aveiras de Cima, Rodrigo Conceição, que destacou o crescimento qualitativo do evento ao longo dos anos e a responsabilidade que hoje representa.
“São 20 anos em que promovemos aquilo que é a característica maior da nossa região, a vinha e o vinho. A festa tem hoje uma qualidade extraordinária e uma dimensão que traz milhares de pessoas a Aveiras de Cima”, afirmou.
Para o autarca, o Ávinho assume também um papel de continuidade geracional. “É uma responsabilidade trazer o passado para o presente e passar às novas gerações a vontade de cultivar a terra, de produzir a uva e de fazer o vinho”, defendeu, apelando à preservação desta ligação ao território.
A iniciativa foi apadrinhada pelo presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, que destacou o papel do vinho e da gastronomia na afirmação turística da região, sublinhando também a evolução do número de dormidas em todo o território.
Já o presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Silvino Lúcio, enquadrou os 20 anos do Ávinho como um momento de celebração e reflexão sobre o percurso feito, mas também como um compromisso com o futuro.
“Hoje não inauguramos apenas uma edição do Ávinho. Celebramos 20 anos de história, de trabalho e de dedicação de uma comunidade inteira”, afirmou.
O autarca destacou ainda o reconhecimento alcançado pelo evento, recordando a distinção como melhor evento de enoturismo da região do Tejo no último ano, resultado do envolvimento coletivo.
“A Ávinho é hoje uma marca nacional, que atrai visitantes de todo o país e coloca Aveiras de Cima no mapa de quem procura autenticidade e experiências verdadeiras”, referiu.
Apesar do crescimento, Silvino Lúcio destacou que a essência da festa se mantém intacta.
“Continua a ser feita de proximidade, de portas abertas, de copos partilhados e de orgulho naquilo que é nosso”, afirmou.
O presidente da Câmara reforçou ainda o impacto económico do evento, classificando-o como uma plataforma de valorização dos produtores e um motor de dinamização do território.
“Não estamos apenas a apoiar um evento. Estamos a investir na nossa identidade, na nossa economia e no futuro”, sublinhou.
A comunidade de Aveiras de Cima foi também apontada como peça-chave no sucesso do Ávinho, pela forma como acolhe quem visita a festa.
“Quem vem cá não vem só provar vinho. Vem sentir, viver e perceber o que é pertencer a este lugar”, concluiu.
Com 20 anos de história, o Ávinho entra numa nova fase, assumindo-se como um evento consolidado, mas com ambição de continuar a crescer. Entre tradição e futuro, a “festa das adegas” mantém-se fiel às suas raízes, afirmando-se como uma das maiores expressões da identidade local.
Concurso de Vinhos distingue melhores produtores do concelho

Ricardo Lambéria, o Estabelecimento Prisional de Alcoentre e a Quinta da Lapa foram os grandes vencedores da 43ª edição do Concurso de Vinhos do Produtor do Município de Azambuja, arrecadando os prémios de melhor tinto, melhor branco e melhor rosé, respetivamente, relativos à colheita de 2025.
O certame, com mais de quatro décadas de história, continua a afirmar-se como um dos mais antigos concursos de vinhos da produção na região, reunindo este ano 38 produtores, com predominância de vinhos tintos.
Na categoria de rosés, com oito concorrentes, a vitória foi para a Quinta da Lapa, de Manique do Intendente, seguindo-se a SIVAC, de Aveiras de Cima, e o Estabelecimento Prisional de Alcoentre. Houve ainda uma menção honrosa para o produtor Vicapão, também de Aveiras de Cima.
Nos vinhos brancos, com 14 amostras, venceu o Estabelecimento Prisional de Alcoentre. O segundo lugar foi para a Agro-Batoréu, de Aveiras de Cima, e o terceiro para a Adega da Horta, de Alcoentre. O júri atribuiu ainda menções honrosas a José Mata, Vicapão e Quinta da Lapa.
Já nos tintos, a categoria mais concorrida, com 36 amostras, o vencedor foi o jovem produtor Ricardo Lambéria, da União de Freguesias de Manique do Intendente, Vila Nova de S. Pedro e Maçussa. O segundo lugar foi para Joaquim Capão, de Aveiras de Cima, e o terceiro para a SIVAC, também de Aveiras de Cima. Foram ainda atribuídas cinco menções honrosas.
A colheita de 2025 foi considerada de excelente qualidade pelos provadores, tendo o município reforçado a valorização do concurso com prémios monetários entre os 250 e os 750 euros. O painel de prova contou com sete enólogos, em regime de prova cega.




