O Movimento Cívico pela Saúde em Azambuja e a Comissão de Utentes de Castanheira e Cachoeiras bateram com a porta e abandonaram o movimento constituído em torno da luta por melhores cuidados de saúde nos concelhos de Alenquer, Azambuja, Benavente e Vila Franca de Xira que fazem parte do Agrupamento de Centros de Saúde do Estuário do Tejo. Em exclusivo ao Valor Local, Armando Martins, do movimento de Azambuja, conta que tudo se terá passado há uns meses, quando apresentou o programa Bata Branca aos colegas das demais comissões de utentes. “Trataram-me como se eu fosse um réu. Disseram-me logo que estava a atuar ao arrepio daquilo que são os interesses do Serviço Nacional de Saúde. Referiram que o que interessava era colocar nos centros de saúde médicos da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT)”. Passado pouco tempo, foi a vez de Pedro Gago da comissão de Castanheira/Cachoeiras seguir os mesmos passos. O Valor Local teve acesso a uma carta enviada por Pedro Gago aos elementos das outras comissões na qual está patente a insatisfação da comissão de Castanheira/Cachoeiras com os demais movimentos, sobretudo os do concelho de Vila Franca de Xira.

Armando Martins que foi sempre um dos principais dinamizadores do grupo dos quatro concelhos saiu em rota de colisão na mesma noite em que apresentou o Bata Branca. O movimento foi constituído, no ano passado, e efetuou diversas ações desde entrega de postais a reivindicar melhores cuidados de saúde junto do primeiro-ministro, até deslocações ao Palácio de Belém.

Os movimentos e comissões de utentes dos concelhos em causa estão na sua maioria agregados ao Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) que Pedro Gago e Armando Martins conectam ao Partido Comunista Português. O líder do movimento de Azambuja refere ainda ao nosso jornal que estava presente, ainda, nessa reunião Joaquim Varino, ligado a este partido e ao MUSP no concelho de Azambuja, que foi um dos opositores nas suas palavras à implantação do Bata Branca. Este programa permite que as entidades da saúde coloquem médicos nos centros de saúde, fora do horário de trabalho, através de protocolo com instituições particulares de solidariedade social, que no caso de Azambuja é a Cerci Flor da Vida. No espaço de dois meses, a IPSS conseguiu recrutar oito médicos naquele tipo de modelo.

“Naquela noite pedi a todos que me compreendessem porque em Azambuja, a situação estava caótica, só havia dois médicos para todo o concelho. Tínhamos quase 90 por cento de utentes sem médico de família. Por que razão desistiria de tentar colocar médicos em Azambuja apenas por questões ideológicas?”, deixa a interrogação. Armando Martins conta que, ao longo do tempo em que fez parte daquele movimento dos quatro concelhos, teve de lutar para que as questões partidárias não se sobrepusessem, mas que a conotação política estava sempre presente. Pedro Gago corrobora: “Sabia que muita da informação que era falada nas nossas reuniões era dada a conhecer junto de elementos do PCP do concelho de Vila Franca de Xira”. O Valor Local ouviu Domingos David, membro do MUSP no concelho de Benavente, também porta-voz do movimento que uniu os quatro concelhos – “As pessoas são livres de pertencerem a partidos. É algo da nossa democracia. Quanto ao facto dessas pessoas e movimentos terem saído foi opção delas. Não tenho comentários a fazer. Espero continuar com bom relacionamento pessoal com elas”, destaca.

Armando Martins diz-se triste com o rumo que os acontecimentos levaram. Apesar de atualmente ter sido encontrada uma “solução ainda que temporária”, mas que “amenizou a falta de médicos” no concelho que representa, estaria disposto a continuar a colaborar com as demais comissões de utentes. “O Domingos David ainda tentou que regressasse, mas foi em vão. Lamento que o movimento esteja tão politizado”.

Na carta enviada por Pedro Gago à direção das comissões de utentes de Vila Franca de Xira, este expressa que sentiu muitas vezes por parte dos demais elementos “repúdio” pela forma como apresentou os diversos temas que mais preocupavam a comissão de Castanheira/Cachoeiras. Pedro Gago refere mesmo à nossa reportagem que se sentiu posto de parte pelas comissões que representavam as outras freguesias de Vila Franca. “Apesar dos inúmeros esforços em tentar solucionar os problemas dos utentes do concelho fomos alvo de críticas com propostas sem fundamento e maioritariamente partidárias”, lê-se na carta.

Pedro Gago refere ainda que durante a reunião tomou imediatamente partido da causa de Armando Martins e confessa que em mais do que uma ocasião expressou a sua vontade de Vila Franca conseguir também o seu Bata Branca, nomeadamente, com uma possível parceria com a misericórdia da sede de concelho. “Logo aí fui altamente criticado também pelos outros elementos. Perguntei o que é que era preferível – Sermos tratados por um médico na freguesia onde vivemos, ou ter de ir para a Póvoa ou para Benavente? Mas limitaram-se a dizer que a ARS-LVT é que tem de resolver”. “Não meto partidos à frente desta causa, porque eles só se lembram dos problemas das pessoas na altura das eleições. Já fui atacado porque dei a conhecer questões da freguesia ao Chega e ao PSD. Falo com quem quiser sobre o que afeta as pessoas”.

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