Os Bombeiros Voluntários de Azambuja registaram cerca de 1.002 ocorrências desde o início de junho e até meados de agosto, num período marcado por uma elevada exigência operacional e pelas condições meteorológicas particularmente favoráveis à ocorrência de incêndios rurais. Apesar do risco, o balanço no concelho é, até ao momento, positivo: não ocorreram incêndios de grandes dimensões e a área ardida acumulada na zona de atuação da corporação não ultrapassa os 1.500 metros quadrados.
Os números foram avançados ao Valor Local pela comandante dos Bombeiros Voluntários de Azambuja, Thays Freixo, e surgem numa altura em que a Câmara Municipal mantém também a fiscalização dos terrenos que não foram limpos pelos respetivos proprietários. Na reunião do executivo desta terça-feira, 18 de agosto, a vereadora com o pelouro da Proteção Civil, Ana Coelho, revelou que as situações de incumprimento foram comunicadas ao SEPNA e que o município está a avançar com limpezas coercivas nos terrenos considerados de maior risco.
As mais de mil ocorrências contabilizadas desde junho incluem emergências médicas, acidentes, incêndios de diferentes tipologias, aberturas de portas com e sem necessidade de socorro, prevenções em eventos e outras intervenções realizadas dentro e fora da área de atuação da corporação.

35 ativações para incêndios rurais
No âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), os Bombeiros de Azambuja contabilizam 35 ativações desde junho, 17 das quais para missões de apoio fora da sua área de atuação. Os operacionais da corporação foram chamados a reforçar o combate em locais como Cartaxo, Alenquer, Alpiarça, Almeirim, Coruche, Salvaterra de Magos, Algodres e Valpaços, entre outros.
No território abrangido pelos Bombeiros de Azambuja, contudo, a dimensão das ocorrências tem permanecido reduzida. Até ao momento, a área ardida acumulada não ultrapassa os 1.500 metros quadrados e não há vítimas nem danos estruturais associados aos incêndios rurais registados.
Segundo a comandante Thays Freixo, este resultado está diretamente relacionado com a deteção e a capacidade de resposta em ataque inicial. A mobilização rápida dos meios terrestres, complementada sempre que necessário pela intervenção de meios aéreos numa fase inicial, tem permitido controlar as ocorrências antes de atingirem maiores proporções.
A comandante salienta ainda a articulação entre os diferentes agentes e estruturas de proteção e socorro, nomeadamente entre a estrutura municipal e o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Lezíria do Tejo, permitindo uma mobilização célere dos meios disponíveis.
Ainda assim e apesar de um “agosto” com muito trabalho, os Voluntários de Azambuja, mantêm uma agenda carregada de formações. Em paralelo, este é um setor que, tanto o comando, como a direção, não descuram.
Câmara avança com limpezas coercivas nos terrenos de maior risco
O estado de limpeza dos terrenos voltou também a ser discutido na reunião de Câmara de 18 de agosto. Questionada sobre propriedades que continuam por limpar depois de terminado o prazo concedido aos particulares, Ana Coelho explicou que o município procede todos os anos à notificação dos proprietários para que realizem os trabalhos necessários.
Nos casos em que essa obrigação não é cumprida, a situação é comunicada ao SEPNA. A vereadora reconheceu, contudo, que o número de infratores impossibilita que a Câmara se substitua a todos os proprietários. Perante essa realidade, os serviços municipais avaliam os terrenos que permanecem por limpar e estabelecem prioridades em função do risco de incêndio. É nos casos considerados mais urgentes que a autarquia procede à limpeza coerciva.
“São muitos os infratores e o município não tem capacidade para se substituir a todos os proprietários”, afirmou Ana Coelho, acrescentando que as situações de terrenos em infração e por limpar foram comunicadas ao SEPNA.
A vereadora sublinhou ainda que se trata de um problema que ultrapassa Azambuja e que se verifica a nível nacional, defendendo que não é justo transferir automaticamente para os municípios a responsabilidade sempre que os proprietários não cumprem a obrigação de limpeza.
Incêndio em Casais de Baixo provocado por descarga elétrica
Ana Coelho esclareceu ainda as circunstâncias de uma ocorrência registada em Casais de Baixo, durante este verão. Segundo a vereadora, o incêndio teve origem numa linha de baixa tensão. O cabo estaria danificado e a proprietária de uma habitação já tinha alertado a EDP para a situação.
Dois técnicos encontravam-se no local quando ocorreu uma descarga elétrica que acabou por provocar o incêndio na zona envolvente. A ocorrência foi controlada sem consequências de maior.




