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Bruno Ventura: “Um país resiliente”

Desde novembro de 2025, Portugal foi fustigado por sucessivas entradas atlânticas que foram fragilizando o território: solos progressivamente saturados, linhas de água sob pressão, instabilidade costeira e um acumular de ocorrências como quedas de árvores e estruturas, interrupções de serviços e danos em habitações e equipamentos. Até que, na madrugada de 28 de janeiro de 2026, a depressão Kristin se abateu com uma intensidade que o próprio IPMA viria a classificar como potencialmente a mais forte “desde que há registo”, deixando um rasto de destruição e vítimas mortais.

A mitigação dos danos e o socorro às populações envolveram uma resposta massiva: o Estado, através da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, ativou o Estado de Prontidão Especial (níveis III e IV), emitiu avisos preventivos e coordenou o dispositivo de socorro, que somou milhares de ocorrências e chegou a mobilizar mais de 18.000 operacionais no pico da depressão Kristin (com bombeiros, INEM, forças de segurança e estruturas municipais), em articulação com o Governo e a administração local.

Em paralelo, muitos municípios ativaram mecanismos próprios e organizaram resposta local (limpeza, desobstrução, apoio social e alojamento temporário), enquanto as Forças Armadas reforçaram capacidades de engenharia, logística e comunicações, com mais de mil militares e mais de 200 viaturas, incluindo máquinas de engenharia e meios aéreos, para remoção de detritos, reparações de emergência, apoio a alojamento, alimentação e restabelecimento de conectividade em zonas críticas. Do lado das infraestruturas, a E-REDES mobilizou cerca de 2.500 operacionais; a REN concentrou equipas na reparação da rede de muito alta tensão. Juntaram-se ainda organizações humanitárias e económicas. A Cruz Vermelha, por exemplo, distribuiu milhares de lonas e ativou estruturas móveis de apoio. Foi criado o programa “Turismo Acolhe” para alojamento de emergência. No plano cívico, multiplicaram-se respostas comunitárias e plataformas de voluntariado para ligar pedidos urgentes a quem podia ajudar com bens, logística e mão-de-obra. As populações locais mobilizaram-se para se entreajudar, vizinhos ajudaram vizinhos, grupos acorreram à limpeza de vias e reparações.

O Governo acionou e foi prorrogando a situação de calamidade para permitir mobilização de meios, contratação urgente e simplificação de procedimentos, e aprovou um pacote global anunciado de 2,5 mil milhões de euros, apoios diretos à habitação própria permanente até 10.000 € por casa com pagamentos acelerados (até 5.000 € em 3 dias úteis sem vistoria; até 15 dias úteis nos restantes casos), medidas sociais e laborais extraordinárias (subsídios eventuais, apoios a IPSS, isenção temporária de contribuições, lay-off simplificado e apoios de emprego e formação), e reforço de investimento público com transferências extraordinárias de 400 M€ para a Infraestruturas de Portugal e 200 M€ para autarquias via Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional com prioridade à recuperação de escolas; em paralelo, foi criada uma moratória de crédito por 90 dias para famílias e empresas afetadas e um regime excecional de isenção temporária de portagens em troços das A8/A17/A14/A19 para apoiar a mobilidade, e foi instituída uma Estrutura de Missão para coordenar e monitorizar a reconstrução na região Centro, com levantamento exaustivo de prejuízos, também para preparar eventual recurso ao Fundo de Solidariedade da União Europeia.

Na conclusão do célebre discurso de 18 de junho de 1940 (“Their Finest Hour”), no início da Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill disse: “…dirão: ‘Esta foi a sua hora mais gloriosa’.” Só as grandes adversidades permitem revelar o carácter e a solidariedade de um povo perante a tragédia, como foi e está a ser o caso dos portugueses. É de coração magoado e com humildade que lhes endereço o meu respeito e um profundo obrigado por me darem tanta esperança no futuro do país.

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