O Colete Encarnado voltou a estar no centro do debate político na última reunião da Câmara de Vila Franca de Xira. O vereador do Chega, Carlos Alvarenga, acusou o executivo socialista de descaracterizar a principal festa do concelho, considerando que o evento tem vindo a transformar-se “num festival de músicas do mundo”, enquanto o presidente da autarquia, Fernando Paulo Ferreira, rejeitou as críticas e defendeu que a evolução da programação não compromete a identidade ribatejana da celebração.
Na intervenção durante o período antes da ordem do dia, Carlos Alvarenga começou por reconhecer dois aspetos positivos da edição deste ano: o corte da Rua Alves Redol ao trânsito e a transmissão online das esperas de toiros. Contudo, considerou que estes aspetos ficam ofuscados por um modelo de festa que, na sua opinião, tem vindo a afastar-se das tradições.
O eleito criticou a revista do Colete Encarnado, que classificou como “muito pobre”, lamentando a perda de conteúdos históricos e a escassa valorização da memória da festa. Defendeu ainda que as zonas históricas da cidade têm vindo a perder visitantes e apontou o investimento realizado nos palcos e nos espetáculos musicais como exemplo da mudança de rumo.
Vereador do chega pede informação sobre os custos do evento
Segundo Carlos Alvarenga, o palco da Avenida Pedro Victor terá representado um investimento de cerca de 180 mil euros e o do Cevadeiro cerca de 250 mil euros, valores aos quais acresceria o custo dos artistas. “Os senhores converteram o Colete Encarnado num festival de músicas do mundo”, afirmou, estimando que o custo global da edição possa rondar um milhão de euros e pedindo ao presidente da Câmara que divulgue o valor final da organização.
O vereador levantou ainda dúvidas sobre a estratégia de segurança adotada na Avenida Pedro Victor. Recordou que, em anos anteriores, o executivo justificou alterações na organização da festa com preocupações relacionadas com a concentração de pessoas naquele espaço, questionando agora como foi possível realizar o concerto dos D.A.M.A. perante uma grande multidão.
Outro dos temas abordados foi o registo da marca “Colete Encarnado”. Carlos Alvarenga criticou o facto de a Câmara não deter o registo da designação, considerando tratar-se de uma falha do executivo, e lamentou ainda que, uma semana após o encerramento da festa, a cidade continuasse a apresentar sinais da realização do evento.
Fernando Paulo Ferreira destaca que certame tem vindo a ganhar projeção
Na resposta, Fernando Paulo Ferreira rejeitou as críticas e afirmou que o Colete Encarnado “tem vindo a afirmar-se não só no contexto de todo o Ribatejo mas também da Área Metropolitana de Lisboa”, considerando que o aumento do número de visitantes exige uma programação diversificada.
O presidente da Câmara sublinhou, porém, que a identidade da festa continua assente na cultura ribatejana, destacando iniciativas como a homenagem ao campino, a missa rociera, o desfile das tertúlias e as restantes atividades ligadas ao campo e à tauromaquia.
“É assim também que o município defende as nossas tradições”, afirmou, acrescentando que o reconhecimento conquistado pelo Colete Encarnado ao longo dos últimos anos demonstra o sucesso do modelo seguido pelo município.
Na réplica, Carlos Alvarenga insistiu que a tradição “não se mede pela presença dos vereadores” nas iniciativas mais emblemáticas, mas pelo investimento que é feito nas componentes tradicionais da festa. Defendeu que o município continua a aplicar praticamente o mesmo montante nas iniciativas ligadas ao campino, às esperas de toiros e aos desfiles, enquanto aumenta significativamente o investimento nos concertos e nos grandes palcos. Voltou ainda a pedir a divulgação do custo total da edição e reiterou as dúvidas sobre as condições de segurança na Avenida Pedro Victor.
Na resposta final, Fernando Paulo Ferreira reafirmou que o Colete Encarnado “é mesmo da Câmara Municipal”, independentemente de qualquer registo de marca, garantindo que a autarquia continuará a organizar aquela que classificou como uma festa centenária “com toda a naturalidade”




