Uma empresa do setor do café instalada na zona industrial de Azambuja avançou com um Processo Especial de Revitalização (PER), após acumular uma dívida superior a 23 milhões de euros, numa situação que evidencia as dificuldades de tesouraria enfrentadas por algumas unidades industriais com forte exposição ao financiamento bancário.
Segundo o ECO online, a Mocoffee, dedicada à produção de cápsulas de café, apresenta um passivo na ordem dos 23,4 milhões de euros. Cerca de metade desse valor corresponde a dívida junto da banca, o que coloca as instituições financeiras no centro do processo de negociação agora em curso.
Entre os principais credores encontram-se o Banco Comercial Português (BCP) e a Caixa Geral de Depósitos, ambos com créditos próximos dos 2,7 milhões de euros. A estes juntam-se outras entidades bancárias e financeiras, reforçando o peso significativo do setor financeiro na estrutura da dívida da empresa e a sua influência no desfecho do processo de revitalização.
O PER surge como um instrumento legal que permite à empresa negociar com os credores um plano de reestruturação, procurando evitar a insolvência e garantir a continuidade da atividade. Neste caso, o sucesso do processo dependerá em grande medida da capacidade de chegar a acordo com a banca e de assegurar novas condições de financiamento que permitam estabilizar a operação.
Em paralelo, está prevista a entrada de um novo investidor, com uma injeção de capital estimada em cerca de três milhões de euros, considerada essencial para assegurar liquidez imediata. Este reforço financeiro poderá ser determinante para manter a atividade produtiva e recuperar a confiança dos credores.
A Mocoffee opera maioritariamente para mercados internacionais, produzindo cápsulas de café para marcas próprias, o que lhe permitiu alcançar volumes significativos de produção e exportação nos últimos anos. A empresa dispõe de uma capacidade industrial relevante, com potencial para produzir centenas de milhões de cápsulas por ano, posicionando-se como um dos players industriais do setor.
Apesar dessa capacidade, o peso da dívida acumulada acabou por comprometer a sustentabilidade financeira da operação. A combinação entre investimento industrial, dependência de financiamento externo e pressão sobre a tesouraria terá contribuído para a situação atual, obrigando à ativação de mecanismos legais de recuperação.
O processo decorre em tribunal e envolve negociações com credores e potenciais investidores, num momento considerado crítico para o futuro da empresa. Em causa está não apenas a viabilidade financeira da Mocoffee, mas também a continuidade da sua atividade industrial em Azambuja e a preservação dos postos de trabalho associados.
A evolução deste processo será determinante para perceber se a empresa consegue ultrapassar as dificuldades e manter-se no mercado, num setor competitivo e fortemente dependente de escala e eficiência. Para já, o PER representa uma oportunidade para reorganizar a dívida e tentar garantir um novo fôlego à operação.




