Não se trata só de ser um episódio isolado e imprevisível. Trata-se, da consequência de problemas estruturais acumulados ao longo de anos, assim como a falta de planeamento, prevenção insuficiente e incapacidade de adaptação a fenómenos meteorológicos cada vez mais exigentes e frequentes.
Em várias zonas de Vila Franca de Xira registaram-se constrangimentos relevantes, desde a acumulação de águas, dificuldades de circulação e impactos diretos na vida de famílias e comerciantes. A queda de árvores, que já era um problema recorrente há vários anos, voltou a verificar-se. E não é preciso existirem grandes vendavais, muitas caem naturalmente porque não há manutenção nem prevenção, a não ser quando acontecem tragédias. Não podemos continuar a correr atrás do prejuízo. É obrigatório prevenir, pensar e planear o território. Não é aceitável existirem árvores por podar, com dimensões superiores a edifícios de vários andares, junto a estradas, dentro de escolas ou em parques infantis. Estes alertas têm sido feitos há anos e continuam, demasiadas vezes, sem resposta.
As valetas e linhas de escoamento não podem permanecer por limpar. A gestão da água tem de ser encarada como uma prioridade estratégica nacional. Portugal não pode continuar dependente de decisões externas sobre retenção de água, enfrentando escassez no verão e cheias no inverno. Isto é falta de planeamento estrutural. A construção e requalificação de infraestruturas hidráulicas, aliadas a uma gestão equilibrada dos recursos hídricos, são essenciais para reduzir riscos e garantir estabilidade.
Na Grande Lisboa, a pressão sobre as infraestruturas urbanas voltou a revelar limitações conhecidas, com sistemas de drenagem sobrecarregados e respostas condicionadas pela intensidade do fenómeno.
Ao longo do tempo, temos defendido a necessidade de um Estado mais eficaz, menos burocrático e verdadeiramente preparado para proteger pessoas e bens. A prioridade tem de ser a prevenção, não apenas a reação. Limpeza regular de linhas de água, manutenção de infraestruturas críticas, planeamento urbano responsável, gestão florestal adequada e coordenação eficaz entre administração central e poder local são elementos fundamentais para reduzir danos e aumentar a segurança das populações.
A atuação do Governo, embora presente, voltou a evidenciar dificuldades já observadas noutras situações: processos lentos, respostas tardias e ausência de visão estratégica de longo prazo. O país precisa de rapidez na ajuda às populações afetadas, mas precisa sobretudo de evitar que os mesmos cenários se repitam sempre que ocorre um fenómeno climático mais intenso.
É fundamental reforçar os meios da proteção civil, investir na modernização dos sistemas de drenagem, melhorar o ordenamento do território em zonas vulneráveis, garantir manutenção regular do espaço público e assegurar que os recursos destinados à prevenção são efetivamente aplicados. Preparar o país para eventos extremos não pode ser exceção, tem de ser regra de governação.
Os acontecimentos recentes em Vila Franca de Xira, na Grande Lisboa e em várias regiões de todo o país demonstram que ainda há um longo caminho a percorrer. As populações necessitam mais do que respostas pontuais, têm que existir planeamento, responsabilidade e ação consistente. Um país, um distrito ou um concelho preparado não é apenas aquele que reage após a crise, mas aquele que, além de responder com rapidez quando ela ocorre, trabalha diariamente de forma séria, contínua e preventiva para que os seus efeitos se façam sentir o mínimo possível nas populações.
Vereador na Câmara de Vila Franca de Xira e deputado na Assembleia da República pelo Chega




