A CDU voltou a criticar, em reunião de Câmara de Vila Franca de Xira, a forma como foi gerido o problema da climatização da Unidade de Saúde Familiar (USF) Gago Coutinho, em Alverca, considerando que a situação se arrastou durante demasiado tempo até culminar no encerramento temporário da unidade, durante alguns dias.
A vereadora Cláudia Martins recordou que a CDU já tinha alertado para o problema na reunião de Câmara de 8 de Junho, quando denunciou que o sistema de climatização não estava a funcionar em condições e que já havia utentes e profissionais afetados pelas elevadas temperaturas.
“Foi preciso encerrar para ser feito alguma coisa”, afirmou, lembrando que a unidade reabriu entretanto, mas questionando porque razão a situação foi deixada degradar-se ao longo dos últimos três anos. A eleita perguntou ainda se a avaria exige efetivamente a substituição integral do sistema AVAC, conforme previsto na adenda ao processo de transferência de competências, ou se poderia ser resolvida através de uma reparação.
Sistemas de climatização de fora da transferência de competências
Na resposta, o presidente da Câmara, Fernando Paulo Ferreira, reiterou que a substituição integral dos sistemas de climatização dos centros de saúde ficou excluída da transferência de competências para os municípios. Explicou que, quando o processo foi aprovado, a autarquia identificou necessidades de investimento na ordem dos três milhões de euros nos edifícios da saúde do concelho, dos quais cerca de 1,8 milhões dizem respeito precisamente aos sistemas de ar condicionado.
O autarca garantiu que a Câmara tem trabalhado em conjunto com a Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo para resolver os problemas que podem ser reparados e instalar equipamentos portáteis onde necessário, mas sublinhou que continua a insistir junto do Governo para que sejam disponibilizadas as verbas necessárias à substituição integral dos sistemas de climatização.
O problema da climatização da USF Gago Coutinho tem sido alvo de sucessivas queixas de utentes e profissionais. No início de Julho, a unidade chegou a encerrar temporariamente devido às temperaturas elevadas e à avaria do sistema AVAC, situação que motivou críticas das comissões de utentes e levou a Câmara Municipal a esclarecer publicamente que a substituição integral do equipamento não integra as competências que lhe foram transferidas na área da saúde.
Desde 2019 que o sistema de climatização da unidade tem registado avarias recorrentes. Com a recente vaga de calor, os constrangimentos agravaram-se, tendo profissionais recorrido a ventoinhas para conseguir trabalhar antes do encerramento temporário da unidade




