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Bienal de Fotografia de 2026 regressa sem finalistas no Prémio Tauromaquia

Duzentos anos após a primeira fotografia permanente, Vila Franca de Xira assinala a efeméride com uma nova edição da Bienal de Fotografia, que decorrerá entre 21 de novembro deste ano e 7 de março de 2027. A BF26 foi apresentada esta quinta-feira no Museu do Neo-Realismo e volta a afirmar-se como um dos principais acontecimentos dedicados à fotografia contemporânea em Portugal, reunindo concurso, exposições e um programa curatorial distribuído por vários espaços da cidade.

Uma das principais novidades da edição deste ano passa pelo reforço do valor dos prémios. O Prémio Bienal de Fotografia duplica de cinco para 10 mil euros, enquanto os restantes passam de mil para dois mil euros. Para David Santos, diretor do Museu do Neo-Realismo e curador da Bienal, esta atualização representa “uma valorização da própria Bienal”, esperando que constitua também um incentivo à participação de mais autores.

A edição de 2026 recebeu 57 candidaturas. Destas, 43 concorreram ao Prémio Bienal de Fotografia, tendo sido selecionados sete finalistas. Ao Prémio Concelho de Vila Franca de Xira concorreram seis autores, dos quais foi escolhido um projeto. Já o Prémio Tauromaquia não terá qualquer finalista este ano.

Os sete finalistas irão agora preparar as respetivas exposições individuais no Celeiro da Patriarcal. A decisão final do júri será tomada após a montagem das exposições, avaliando não apenas os trabalhos apresentados, mas também a forma como cada artista constrói o seu projeto expositivo no espaço. David Santos sublinhou que existe “uma grande diferença” entre um portefólio observado em formato digital e o resultado da sua apresentação física perante o público.

Sérgio Gomes, crítico de fotografia e membro do conselho de curadores, destacou a qualidade dos trabalhos selecionados, considerando que representam “o que melhor se tem visto na fotografia contemporânea”. Explicou que o processo de seleção decorreu com relativa facilidade, uma vez que existiu um elevado consenso entre os curadores quanto aos sete portefólios escolhidos.

Segundo o crítico, os projetos distinguem-se pela diversidade de abordagens, cruzando discursos mais poéticos, reflexões sobre o quotidiano, a intimidade, a memória e a tensão entre natureza e espaço urbano. Apesar da qualidade dos finalistas, lamentou a escassez de projetos de fotografia documental e de reportagem, área que considera cada vez menos representada neste tipo de concursos.

Paralelamente ao concurso, a BF26 contará com um programa curatorial subordinado ao tema “Uma ilusão nunca é só uma ilusão – As temporalidades da fotografia contemporânea”. As exposições estarão distribuídas por vários equipamentos culturais da cidade, entre os quais a Fábrica das Palavras, o Museu do Neo-Realismo, o Museu Municipal, o Núcleo Museológico do Mártir Santo e o Clube Vilafranquense.

David Santos explicou que o conceito desta edição parte da relação entre a fotografia e o tempo, refletindo sobre a forma como a imagem continua a criar a ilusão da captura do instante, numa época marcada pela proliferação das imagens digitais e pela facilidade com que estas podem ser manipuladas. O curador lembrou ainda que a edição deste ano coincide precisamente com os 200 anos da primeira fotografia permanente, uma efeméride que serve de inspiração ao tema escolhido.

Durante a sessão foi ainda sublinhado o papel que a Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira tem desempenhado ao longo das últimas décadas na valorização da fotografia contemporânea, contribuindo para a afirmação de vários fotógrafos portugueses e consolidando a iniciativa como uma referência nacional.

Prémio Tauromaquia volta a ficar sem finalistas

O Prémio Tauromaquia volta a não ter qualquer finalista na edição de 2026 da Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira. Das oito candidaturas apresentadas, nenhuma reuniu os critérios definidos pelo conselho de curadores, repetindo-se uma situação que já tinha acontecido nas edições de 2018 e 2020.

Questionado pela comunicação social sobre os motivos que levaram o júri a não selecionar qualquer projeto, Sérgio Gomes foi sucinto na resposta: “Oito candidaturas, em geral não encontrámos qualidade neste conjunto de portfólios.”

David Santos reforçou que a decisão resulta exclusivamente da avaliação feita pelo conselho de curadores, lembrando que o júri é soberano nas escolhas que faz. Segundo o curador da Bienal, os trabalhos apresentados nesta edição não atingiram o nível de qualidade exigido pelos critérios definidos para o concurso, razão pela qual não foi selecionado qualquer finalista nesta categoria.

Apesar disso, afastou qualquer cenário de extinção do Prémio Tauromaquia, recordando que a ausência de finalistas já se verificou nas edições de 2018 e 2020 e que tal não significa uma alteração ao regulamento ou ao futuro desta vertente da Bienal. Pelo contrário, salientou que o objetivo continua a ser distinguir os melhores trabalhos sempre que estes correspondam ao nível de exigência estabelecido pelo júri.

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