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Centro Escolar do Telheiro é prioridade na Carta Educativa de Arruda dos Vinhos até 2035

O Centro Escolar do Telheiro deverá concentrar a principal aposta de investimento na rede pública de ensino de Arruda dos Vinhos nos próximos anos. A orientação consta da nova Carta Educativa do município, com horizonte até 2035, apresentada esta sexta-feira, e foi confirmada ao Valor Local pelo presidente da Câmara, Carlos Alves. O autarca considera que o crescimento populacional previsto não justifica uma expansão generalizada e urgente das infraestruturas escolares, mas exige um acompanhamento permanente das necessidades do concelho.

“Não há aqui a necessidade e a urgência de fazer um investimento megalómano do ponto de vista da ampliação da rede escolar”, afirmou Carlos Alves ao Valor Local, explicando que a evolução demográfica deverá manter uma trajetória de crescimento moderado. “O crescimento não é desmesurado, não é exponencial”, acrescentou, sublinhando que o documento identifica o Centro Escolar do Telheiro como principal foco de intervenção.

O investimento já integrava as perspetivas do município, nomeadamente no âmbito dos instrumentos de financiamento articulados com a Comunidade Intermunicipal do Oeste. O presidente recorda que está igualmente prevista uma infraestrutura desportiva associada àquele estabelecimento de ensino. “Estamos em linha para o Centro Escolar do Telheiro. E aí é que esse investimento tem que ser previsivelmente o eixo fundamental nessas políticas públicas”, assegurou.

A nova Carta Educativa assenta em três eixos fundamentais: infraestruturas, oferta educativa e inclusão. O documento contempla diferentes cenários de evolução demográfica, desde a aceleração do crescimento populacional até situações de estabilização ou decréscimo, permitindo ajustar os investimentos às necessidades da população escolar. “É um documento que nos permite tomar decisões em termos de políticas públicas. E essa é a grande vantagem, com rigor, com transparência, com monitorização”, salientou o autarca.

Carlos Alves destaca que a educação tem desempenhado um papel determinante na atratividade do concelho, cuja expansão populacional não resulta essencialmente do aumento da natalidade, mas da fixação de novas famílias. “As pessoas vêm para o concelho porque a educação é de excelência”, afirmou, considerando que a qualidade do ensino constitui um dos principais critérios na escolha de um território para viver. “A educação aparece no topo daquilo que são as exigências do ponto de vista familiar”, reforçou.

A elaboração da Carta Educativa foi, segundo o presidente, um processo “demorado, exigente”, que procurou estabelecer critérios rigorosos para orientar as decisões futuras. “O que estamos a trabalhar, o que temos vindo a trabalhar, é uma escola-comunidade”, explicou, defendendo uma educação construída com a participação dos diferentes agentes educativos e da própria população.

Outro dos desafios prende-se com o crescimento da construção habitacional, particularmente visível na sede do concelho, onde têm surgido novos empreendimentos. Questionado pelo Valor Local sobre o impacto desta expansão na capacidade de resposta das escolas, Carlos Alves reconheceu a necessidade de acompanhar permanentemente a evolução demográfica. “O que não significa que não haja essa necessidade de monitorização daquilo que é esse crescimento”, observou.

O autarca destacou ainda o investimento privado na construção de novos fogos e os projetos municipais de habitação, nomeadamente através do programa 1.º Direito e do arrendamento acessível. “A necessidade de habitação é uma premência para todos, especialmente também para os jovens que iniciam agora a sua autonomização face às famílias”, afirmou.

Para Carlos Alves, a Carta Educativa representa mais do que um levantamento das necessidades escolares. “É um documento estratégico para um concelho que quer ter uma visão estratégica naquilo que é a sua identidade”, sustentou. Uma identidade que pretende consolidar através da qualidade do ensino, da proximidade e da valorização da comunidade educativa. “Uma escola que é uma escola-comunidade, uma comunidade que se chama Arruda dos Vinhos”, concluiu.

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