O Executivo da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa reafirmou esta terça-feira o compromisso de continuar a trabalhar “com total empenho e dedicação” em prol da população, na sequência da não aprovação do Plano e Orçamento para 2026 e da renúncia dos eleitos do PSD e da Iniciativa Liberal ao Executivo.
Em comunicado, a Junta presidida por António José Inácio recorda a legitimidade conferida pelos eleitores nas eleições de 12 de outubro de 2025 e garante que prossegue o trabalho diário e as conversações necessárias para a elaboração de uma nova versão do Plano e Orçamento para 2026, após a reprovação da proposta apresentada na Assembleia de Freguesia de 30 de dezembro.
O executivo reage ainda ao comunicado divulgado pelos eleitos do Partido Social Democrata e da Iniciativa Liberal, considerando que o mesmo contém “afirmações incorretas e infundadas”. A Junta critica igualmente a utilização do brasão da União de Freguesias num texto de natureza partidária, sublinhando que tal prática não deve ocorrer.
União de Freguesias mantém disponibilidade para trabalhar e procurar entendimentos
No mesmo texto, a liderança da União de Freguesias afirma manter a disponibilidade para trabalhar e procurar entendimentos “com todos os que estiverem por bem”, apelando à união na ação em benefício da população da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa
A posição da Junta surge depois de os eleitos do PSD e da Iniciativa Liberal terem votado contra o Plano e Orçamento e anunciado a renúncia aos respetivos cargos no Executivo, formalizando uma rutura política com a liderança de António Inácio, eleito pelo movimento independente “António Inácio – Póvoa Mais Forte”.
PSD e IL consideraram orçamento irresponsável
Em comunicado conjunto, os dois partidos classificaram a proposta orçamental como “irresponsável, desequilibrada e profundamente lesiva do interesse público”, apontando um aumento de despesa que poderá atingir cerca de 176 mil euros até 2029, suportado, segundo os próprios, por cortes em áreas consideradas essenciais, como a manutenção de maquinaria, a conservação de espaços verdes e a segurança rodoviária.
PSD e Iniciativa Liberal referem ainda uma redução significativa da capacidade de investimento da Junta, estimando que o valor previsto desça cerca de 80 por cento, de 104 mil euros em 2025 para cerca de 21 mil euros em 2026, o que, na sua perspetiva, compromete a aquisição de equipamentos e a realização de obras consideradas fundamentais.
Os partidos apontam também divergências profundas quanto ao funcionamento interno do Executivo, referindo falta de diálogo institucional, ausência de partilha de informação e práticas que consideram incompatíveis com uma gestão colegial, incluindo alegado condicionamento a trabalhadores, assunção de funções sem pelouros atribuídos e procedimentos de contratação sem conhecimento de todos os membros do Executivo.
Perante este cenário, os eleitos do PSD Bruno Marquitos e Maria João Marques anunciaram a renúncia às funções executivas, regressando à condição de membros da Assembleia de Freguesia. A coligação Nova Geração, que integra PSD e Iniciativa Liberal, declarou ainda a retirada total da confiança política ao presidente da Junta, à secretária Rosa Barral e ao vogal Amadeu Pinto, afastando-se de qualquer responsabilidade pelas decisões futuras do Executivo.




