Existem vitórias que vão além dos números. As eleições presidenciais de ontem deixaram uma mensagem clara: os portugueses querem democracia, estabilidade e respeito pelas instituições. António José Seguro passou à segunda volta e fê-lo como o candidato que melhor representa esses valores.
Apoiei António José Seguro desde o primeiro momento. Fi-lo de forma clara e sem hesitações, porque sempre o considerei um democrata coerente, sério e profundamente respeitador da liberdade conquistada em Abril. Num tempo em que o ruído político cresce e os extremos tentam normalizar-se, Seguro apresentou-se com serenidade, experiência e sentido de Estado.
A segunda volta será disputada entre António José Seguro e André Ventura. É aqui que as escolhas deixam de poder ser adiadas. Não se trata de simpatias pessoais nem de estratégias partidárias: trata-se de escolher entre um democrata e um radical.
É por isso difícil compreender (e ainda mais justificar) a posição do Sr. Primeiro-ministro, Luís Montenegro, que anunciou que não apoiará nenhum dos candidatos na segunda volta. Esta atitude não é neutral. É uma demissão política num momento decisivo. Quando a escolha é tão clara, não escolher é, na prática, fechar os olhos ao risco.
Dizer que não se apoia ninguém entre António José Seguro e André Ventura é enviar um sinal. Um sinal laranja. Um sinal que favorece quem vive da desconfiança nas instituições, do ataque à democracia e da divisão dos portugueses. Montenegro não fica acima da disputa; fica aquém da responsabilidade que o cargo exige.
Portugal conquistou a democracia com esforço, coragem e sacrifício. Não foi fácil e não está garantida para sempre. Pode perder-se se for tratada como um dado adquirido ou se os seus defensores se calarem quando é preciso falar. Entre democracia e radicalismo não há espaço para ambiguidades confortáveis.
Estou certa que esta falta de coragem política envergonharia Sá Carneiro. O fundador do PSD nunca teve medo de assumir posições claras quando a liberdade estava em causa. Sabia que a democracia exige escolhas firmes, mesmo quando são difíceis.
A segunda volta não é apenas uma eleição presidencial. É um teste à maturidade democrática do país e à coragem dos seus líderes. António José Seguro representa a continuidade democrática, o respeito pela Constituição e a união dos portugueses
Portugal não pode dar-se ao luxo de hesitar. A democracia conquistada não se perde de um dia para o outro, mas perde-se sempre assim: com silêncios, ambiguidades e fugas à responsabilidade.




