Os momentos de desalento e desilusão permitem-nos repensar a nossa forma de ser e de estar. Escrever sobre o clube do coração, é um momento de partilha com todos os que comungam da mesma paixão. Janeiro a terminar e sem melhorias à vista, está na hora de repensar.
O Sport Lisboa e Benfica durante esta época viveu o pior e o melhor que uma instituição pode viver. O melhor em termos associativos com uma participação eleitoral sem memória e, infelizmente, o pior em tudo o resto. Uma época para esquecer, sem histórico e que nos envergonha a todos. E custe-vos ou não, são os sócios os culpados da situação.
Foi errado votarem em Rui Costa (um ex-vice-presidente que assinava contratos sem ler) com o argumento que não existiam alternativas, apesar de ser a eleição com mais concorrentes na História do Benfica. Foi errado quando um ex-profissional de futebol que não acerta uma contratação como Presidente e gasta 100 milhões de euros por época em indivíduos de qualidade duvidosa, os sócios ainda lhe dão o direito de gastar 300 milhões num projeto sem sentido. Foi errado quando confiaram num Presidente que compra um jogador ao Slavia de Praga por 14 milhões de euros e vende-o ao mesmo clube por 3 milhões de euros ou deixa sair outro para o Besiktas a custo zero e depois recompra-o por 5 milhões de euros. Mudaram os treinadores, mudaram os jogadores e o único que devia ter sido mudado, não se concretizou.
Ouvir adeptos do Benfica agarrarem-se à esperança ou ao “fica para o ano” é o resultado do pior que nos tornaram. Não podemos estar habituados à mediocridade, à falta de ambição ou simplesmente à resignação. O que espero dos atletas do Benfica é o que Churchill ofereceu aos ingleses na segunda guerra mundial: “Trabalho, sangue, suor e lágrimas” em campo, com o peso de representar o maior clube do mundo que é o Sport Lisboa e Benfica.
O Benfica entrou num momento-chave da sua História, em pleno descalabro desportivo, a não entrada na Champions League criará um buraco que nos levará ao descalabro financeiro. E a culpa é nossa, dos sócios.
Vivemos um momento esquizofrénico. Mesmo não tendo escolhido o que a maioria dos sócios escolheu nas duas últimas votações, não existem sócios de primeira e de segunda, não há uns melhores que outros. Ainda confio no vosso discernimento enquanto sócios do Benfica, principalmente dos quase 60 mil que votaram no atual Presidente. Está na hora de mudarmos o rumo e os novos estatutos permitem-nos voltar às urnas em 2027. De uma vez por todas reestruturar a nossa instituição para voltarmos ao que estávamos habituados: a ganhar.




