A Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Azambuja está a levar a cabo um processo de modernização das suas instalações e serviços, com intervenções na sede e nas agências do concelho, novos equipamentos bancários e melhorias nas condições de acessibilidade. Em declarações ao Valor Local, José Luís Vidais, presidente do Conselho de Administração, explica que esta aposta pretende melhorar a eficiência, atualizar os sistemas de segurança e informação e proporcionar maior conforto aos clientes e colaboradores, sem perder a relação de proximidade que caracteriza a instituição.
“Um dos objetivos estratégicos, traçados pela atual equipa de gestão no primeiro plano de atividades que elaborou em 2022, foi precisamente a beneficiação e dignificação de todas as instalações ao serviço da CCAM”, refere o responsável. Depois da transferência do arquivo central para novas instalações em 2022 e da renovação da agência de Aveiras de Cima, concluída em maio de 2024, decorrem agora obras na sede de Azambuja, onde a zona de atendimento já se encontra concluída. Em Manique do Intendente estão em curso pequenas reparações, enquanto a avaliação das necessidades de intervenção na agência de Alcoentre ficou reservada para 2027.
A acessibilidade constitui outra prioridade. Na sede de Azambuja, o objetivo é tornar acessíveis os quatro pisos do edifício, enquanto a agência de Aveiras de Cima integra um conjunto de cerca de 80 balcões do Crédito Agrícola, selecionados a nível nacional para avaliação e eventuais melhorias nesta área.
Entre as novidades destaca-se também o Balcão 24, equipamento que permite realizar operações bancárias fora do horário de atendimento, incluindo depósitos de notas e cheques. A primeira instalação ocorreu em Aveiras de Cima, em maio de 2024, com uma adesão que José Luís Vidais classifica de “extraordinária”. Em Azambuja, os primeiros dias de funcionamento apontam, segundo o responsável, para uma aceitação igualmente positiva. O equipamento permite ainda libertar os colaboradores para um atendimento mais personalizado.

Numa altura em que outras instituições bancárias têm encerrado balcões, a Caixa Agrícola de Azambuja pretende manter a presença física no território. José Luís Vidais admite mesmo a manutenção de agências sem rentabilidade, desde que essa opção não coloque em causa a sustentabilidade da instituição. “O nosso objetivo será sempre manter o serviço à população desde que tal não comprometa o futuro da instituição”, sublinha, lembrando que a natureza cooperativa do Crédito Agrícola privilegia também a vertente social da atividade bancária.
Apesar dos investimentos na digitalização, o presidente considera que o atendimento presencial continua a ser uma das principais vantagens competitivas da instituição. E rejeita a ideia de que esta preferência se limita aos clientes mais idosos, destacando igualmente a importância do contacto pessoal para os imigrantes e pessoas com menor literacia financeira. “A questão da proximidade revela-se de facto a nossa maior vantagem”, afirma.
Crédito concedido passou de 35 para 65,6 milhões de euros desde 2022, um crescimento de cerca de 87%
A modernização acompanha um crescimento significativo da atividade financeira. Desde 2022, a carteira de clientes passou de pouco mais de 9500 para cerca de 12 500, enquanto os depósitos aumentaram de aproximadamente 89 para 122 milhões de euros. O crédito concedido cresceu de 35 para 65,6 milhões de euros e os fundos próprios passaram de 7,3 para cerca de 12 milhões. No primeiro semestre de 2026, o financiamento a particulares representava aproximadamente 53% do crédito concedido, seguindo-se as empresas, com 39%, incluindo cerca de 10% para o setor agrícola. O setor público representava aproximadamente 9%, excluindo títulos de dívida.
Olhando para o futuro, a instituição prepara-se para assinalar o seu centenário em 2027, ano em que pretende alcançar um ativo líquido ajustado de cerca de 200 milhões de euros, crédito concedido próximo dos 80 milhões e fundos próprios na ordem dos 15 milhões. José Luís Vidais reconhece, contudo, que o contexto internacional torna difíceis as previsões a longo prazo. Depois de concluídas as obras de renovação das agências, até ao final de 2027 ou meados de 2028, não estão previstos novos investimentos significativos, passando a aposta sobretudo pela formação dos recursos humanos.




