A Carris Metropolitana investe 16 milhões de euros em 37 novos autocarros elétricos que chegam a Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira
A Carris Metropolitana conta com mais 37 autocarros 100% elétricos destinados ao transporte público de passageiros nos municípios de Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira. Esta novidade representou um investimento de 16 milhões de euros, enquadrado na verba total de 45 milhões de euros, proveniente do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) dedicada à modernização do transporte público na Área Metropolitana de Lisboa.
O evento oficial de apresentação das novas viaturas decorreu nas instalações da Rodoviária de Lisboa, em Santa Iria de Azóia, na quinta-feira, 15 de outubro.
“A razão fundamental da nossa existência é servir as pessoas. E esse é o nosso objetivo principal”, salientou Carlos Humberto, Presidente da Transportes Metropolitanos de Lisboa. “Precisamos de mais transportes e temos de oferecer mais transporte”, ressalvou.
As viaturas já se encontram em circulação e correspondem à segunda fase do processo de eletrificação da operação da Rodoviária de Lisboa. A frota elétrica passa agora a contar com 77 autocarros, o que representa 15% do total de veículos dedicados à Área 2.
Os novos autocarros contam com uma autonomia estimada entre 300 e 400 quilómetros. Esta tipologia elétrica recupera energia nas travagens e desacelerações para uma condução mais eficiente e suave, reduz as necessidades de manutenção no motor e na caixa de velocidades e diminui significativamente o ruído dentro do veículo e na cidade.
Apesar do crescimento do investimento na mobilidade, Carlos Humberto explicou que este ainda é insuficiente, uma vez que é necessário responder à procura da população, algo que admite ainda não estar a acontecer. “Ainda temos capacidade para crescer e é isso que vamos continuar a fazer.”
No entanto, o responsável equacionou também outros desafios operacionais, como o estado atual das infraestruturas. “Os terminais são um problema seríssimo. Neste momento, estamos a recusar fazer carreiras porque não temos onde parar nos terminais.” Em declarações aos jornalistas, sublinhou que as interfaces de Lisboa, como o Oriente, Entrecampos e Sete Rios, são alguns dos casos que exigem maior atenção.
Para resolver estas problemáticas, explicou ser necessário reforçar a oferta ferroviária. “É uma questão central.” Além disso, defendeu a priorização do transporte rodoviário: “Facilitar o transporte coletivo rodoviário, criando vias dedicadas, são soluções que se têm de equacionar e levar à prática.”
O responsável deixou ainda um desejo para o futuro: “Não sei se será possível, mas gostava que, até 2030, todos os autocarros fossem elétricos.” Explicou também que o reforço da frota é sempre positivo, pois aumenta a capacidade de resposta e, por ser elétrico, reduz o impacto ambiental dos transportes públicos.
Também presente na cerimónia, a Secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, sublinhou a importância da introdução destes veículos para garantir uma oferta “maior e mais sustentável”.
Apesar de admitir que se vive um momento sensível relativamente à oferta, salientou que o país atravessa um dos “maiores ciclos de investimento de que há memória na mobilidade”. Segundo a governante, foram dedicados 6 mil milhões de euros, dos quais 230 milhões do PRR se destinam à descarbonização dos transportes públicos, nomeadamente à aquisição de 1006 autocarros elétricos. Tudo isto, de modo a cumprir o objetivo de aumentar a quota de utilização do transporte público para mais de 20% em 2031.




